domingo, 11 de novembro de 2012

Piadina


A piadina é uma das opções de lanche mais versáteis que eu descobri nos últimos tempos. A dica veio da Cynthia Semíramis, que me mandou também o link de um vídeo da Rita Lobo com o preparo.

Além de descomplicada, ela conserva bem na geladeira e é uma base saudável para um lanche ou jantar.

Dá pra usar recheio quente ou frio, mas com o calor que tem feito, ela ficou ótima com tomate, mussarela de búfala, palmito, azeitona e rúcula. Use a imaginação e recheie com salada de frango, frios, atum grelhado...

A receita da Rita Lobo é a versão com parte de farinha integral, e eu achei ótima, nem me interessei em tentar sem ela. Desta vez acrescentei tomilho seco à massa e ficou ainda melhor!



Piadina

1 xícara de farinha de trigo integral
2 xícaras de farinha de trigo branca
2 colheres (sopa) de azeite
1/2 colher (chá) de sal
1 colher (chá) de fermento em pó (para bolo)
1 xícara de leite integral
Opcional: 1 colher (chá) de tomilho seco

Misture os ingredientes secos numa tigela. Faça uma cova, despeje o azeite e misture com um garfo.

Faça novamente uma cova e acrescente o leite em 2 partes. Amassa muito bem com as mãos.

Transfira para uma bancada ligeiramente enfarinhada, faça um rolo e divida em 6 partes. Cubra com um pano para não ressecar.

Abra cada parte com um rolo, até ficar bem fininha. Fure a massa com um garfo.

Frite em uma frigideira antiaderente, vire e frite do outro lado. (Eu usei a bistequeira porque a minha frigideira é um pouco pequena, mas deu certo e ainda ficou com as marcas dos sulcos.)


Agora é só rechear! Uma opção bacana é servir as piadinas com várias opções de recheio e cada um monta a sua versão.


Trocando industrializados por caseiros:

A ideia da Piadina surgiu quando comentei no grupo do Facebook, o 365 Dias de Comida Honesta, sobre o Rap10 da Pullman, e a Cynthia sugeriu essa receita caseira, muito melhor! Só dá uma espiada nos ingredientes do produto industrializado: farinha de trigo fortificada com ferro e ácido fólico, gordura vegetal (gordura trans!), sal, fermentos químicos bicarbonato de sódio, pirofosfato ácido de sódio e fosfato monocálcico, acidulante ácido fumárico, conservador propionato de cálcio e ácido sórbico.

 Não é produto químico demais para um pão?

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Frutas glaceadas


Uma das minhas tentações favoritas: frutas glaceadas! Na foto, morangos, abacaxi e mamão com maracujá.

Elas diferem das frutas cristalizadas por serem cobertas por uma camadinha opaca de açúcar, sem os cristais de açúcar típicos das frutas cristalizadas. Também acho que são menos enjoativas.

Estas eu comprei no Mercado da Lapa, box 104. Aliás, o Mercado da Lapa é uma boa surpresa para muita gente: a maioria dos boxes foi reformada e tem produtos de qualidade a preços muito bons! Dá uma espiada na quantidade de caixas de produtos aí na foto - praticamente todos os produtos que eu só via nos armazéns da Rua Mercúrio no Centro.


domingo, 4 de novembro de 2012

Pão de queijo


Acho que estou adquirindo uma espécie de fetiche por ingredientes de qualidade e pegando birra comida  industrializada que finge ser o que não é. E claro, quando a gente sabe a procedência daquilo que usa para se alimentar e alimentar os outros, a gente ganha em saúde, em sabor, e às vezes até ajuda a fortalecer a economia do pequeno produtor, como no caso dos produtos orgânicos.

Hoje eu fiz pão de queijo só com ingredientes da melhor qualidade: polvilho que veio direto de Minas, ovos orgânicos, queijo da Serra da Canastra; e a receita veio de um casal de mineiros simpaticíssimos, a Deborah e o Ricardo, que eu conheci através de outros amigos. 

Inclusive a Deborah e o Ricardo me deram a dica de como curar o queijo mineiro: ele deve ser mantido fora da geladeira, só coberto com uma telinha, em local bem fresco, sendo virado todos os dias. No começo é preciso lavar e secar muito bem o queijo, assim como o recipiente em que ele estiver sendo mantido. Com paciência, dizem, o queijo fica cada vez melhor (mas a Deborah avisou que o cheiro é muito forte, pra dizer o mínimo). Eu que vinha guardando meu queijo na geladeira, já coloquei o pedaço que sobrou para "curar" e vou esperar pelo resultado. 

Quando o Lucas chegou hoje do Enem, eu estava com a primeira fornada terminando de assar, e ele ficou todo animado. Desde pequeno ele sempre foi louco por pão de queijo!

Ainda congelei uma dúzia de pãezinhos de queijo, em congelamento aberto, ou seja, coloquei numa bandeja direto no freezer, e quando eles endurecerem, vou transferi-los para um saquinho bem fechado. Assim eles não grudam no congelamento. #ficadica

Pão de queijo

400 g de polvilho azedo
¾ de xícara de água
¾ de xícara de óleo
2 ovos
250 g de queijo ralado no ralo grosso
1 colher de chá de sal
½ xícara de leite

Misture o polvilho com o sal. Ferva a água com o óleo e despeje sobre o polvilho para escaldar. Misture com um garfo. A massa vai ficar toda empelotadinha. Acrescente o leite aos poucos e comece a amassar, conforme a temperatura permitir manipular a massa. 


Espere esfriar um pouco para acrescentar os ovos. Amasse bem até incorporar os ovos, e por fim acrescente o queijo ralado, agora sem amassar demais. A massa gruda bem nas mãos, mas não é muito complicado.

Em seguida, lave bem as mãos, seque e unte-as com óleo. Faça bolinhas de massa com a quantidade de uma colher de sobremesa. Disponha as bolinhas num tabuleiro sem untar. 


Asse em forno pré-aquecido, à temperatura média. Se não for consumir, congele o pão de queijo antes de assar, em congelamento aberto. 

Rendimento: 50 unidades

De olho no rótulo dos produtos industrializados!
Algumas marcas de pão de queijo que você encontra no supermercado contêm gordura vegetal hidrogenada. Mas pior mesmo é a mistura para pão de queijo, que contém "condimento preparado sabor queijo, farinha de trigo, antiumectante dióxido de silício e glutamato monossódico. 

domingo, 28 de outubro de 2012

Barrinhas de cereais


Continuando minhas experiências com quinoa, fiz barrinhas de cereais e frutas secas, que ficaram bem saborosas. Quer dizer, elas não têm formato de barrinha, né? E eu não sei como chamar. Bolacha? E aí, alguma sugestão?

Nesta receita, usei damascos, nozes e castanhas-do-pará picados. Mas as possibilidades são enormes: macadâmia, pistache, frutas desidratadas. Só é preciso ter em mente que as frutas desidratadas têm muito açúcar, até mais do que as frutas frescas.

Testei duas vezes a versão da barrinha com chocolate, mas não ficou bom. Da primeira vez, misturei o chocolate picado quando a quinoa e a calda ainda estavam quentes, o chocolate derreteu, misturou com a massa, e as barrinhas continuaram moles depois de assadas. Tentei de novo depois de uns dias, tomando o cuidado de só acrescentar o chocolate picado depois que a massa estivesse fria. Ficou tão ruim que eu joguei tudo fora, choramingando pelo desperdício de chocolate belga.

Barrinhas de cereais

1/2 xícara de quinoa
1 xícara de aveia em flocos
2 xícaras de frutas secas variadas picadas (nozes, castanhas-do-pará, castanhas de caju, macadâmias, pistaches, damascos secos, ameixas secas, cerejas secas, frutas desidratadas, etc.)
2 colheres (sopa) de açúcar mascavo
2 colheres (sopa) de mel

Cozinhe a quinoa em 1 + 1/2 xícaras de água durante 12 minutos. Deixe esfriar um pouco.

Junte as frutas e castanhas picadas e a aveia à quinoa.

Em uma panela, derreta o açúcar mascavo com o mel e mantenha no fogo até começar a ferver. Acrescente essa calda à massa de quinoa, aveia e frutas secas e misture bem.

Se for fazer no formato de bolacha, espere esfriar um pouco para poder enrolar. Nesse caso, unte com óleo um tabuleiro e cubra-o com papel manteiga. Pegue porções de massa na capacidade de uma colher de sopa, aperte bem cada porção para formar uma bola, e achate-o no tabuleiro. É importante que elas fiquem compactas.

Se quiser barrinhas retangulares, unte e forre com papel manteiga um refratário retangular médio ou quadrado (20 x 20 cm aproximadamente), despeje a massa e pressione bem contra o fundo, nivelando com as costas da colher.

Leve a assar em forno médio pré-aquecido por 20 a 30 minutos. No caso das barrinhas, corte com a faca quando a massa estiver morna.

Guarde num recipiente bem fechado.



quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Frango recheado



Como você decide o que vai cozinhar no dia-a-dia? Prepara os mesmos pratos de sempre? Consulta livros de receita? Abre a geladeira, vê o que tem e inventa?

O freezer aqui de casa está vazio esta semana e só no final de semana vou conseguir ir ao açougue onde compro carnes para o mês todo. Para resolver o almoço, fui ao mercadinho da esquina, onde as opções são poucas. A mulher que estava na minha frente na fila do açougue do mercadinho pediu um peito de frango desossado aberto em manta. E eu pensei, uau! Como assim, eu nunca comprei isso antes? Quando chegou a minha vez, disse para o açougueiro: quero o mesmo que ela.

Em casa, temperei o frango com uma misturinha chamada "lemon & pepper" que trouxe do mercado, gostosinha mas meio venenosa (tem glutamato de sódio, só vi depois de comprar) e alho picado. Reservei.



Numa panela, refoguei alho, cebola e uns temperinhos (cominho, coentro em pó) e acrescentei cubos de calabresa. Quando a calabresa já estava bem fritinha, adicionei uma porção de brócolis congelados e mantive no fogo até o refogado estar bem incorporado.

Abri o peito de frango num prato e por cima despejei o refogadinho de calabresa e brócolis. O peito estava meio irregular, meio grosso, então deu um pouco de trabalho para fechar. Usei palitos de dente e por fim amarrei tudo com fio dental.



Numa assadeirinha forrada com papel alumínio, coloquei o frango recheado, agora invertido, com a abertura para baixo. Levei a assar por uns 30 minutos, dos quais uns 20 coberto com papel alumínio.

Servi com arroz integral e couve refogada.



segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Torta de quinoa com espinafre e cream cheese


Vocês repararam que as pessoas não dizem mais que estão fazendo regime e sim reeducação alimentar? Claro, faz sentido, sem eliminar hábitos alimentares ruins, o objetivo da dieta não vai ser duradouro.

Mas acho que a gente também está o tempo todo em processo de "educação alimentar", descobrindo novos alimentos, modos de preparo, formas de consumo. E algumas coisas nem são novas. Por exemplo, todo mundo está falando de alimentos orgânicos, mas nossas avós e bisas já tinham a sua horta e o seu pomar sem agrotóxicos.

Eu fui uma criança enjoada e só adulta aprendi a gostar de alguns alimentos. É o caso da couve. Tivemos uma empregada mineira que cozinha divinamente, fazia couve à mineira e caldo verde incríveis, e foi aí que eu aprendi a gostar. Minha mãe provavelmente não se conforma.

Ainda assim, eu nunca vou ser uma daquelas pessoas que comem de tudo. Mas tenho me esforçado. E com tanta informação sobre comida circulando na minha vida, via amig@s chefs, blogs e grupos de discussões, fica mais fácil.



De tanto falarem na quinoa (dizem que é o alimento mais completo do mundo em termos de nutrientes), resolvi experimentar - com um pouco de desprezo pelo estrelismo desse cerealzinho que há algumas décadas ninguém aqui conhecia. Não morro de amores, pelo menos por enquanto. Mas testei algumas receitas que deram certo. Não, não pretendo fazer risoto de quinoa como todo mundo, continuo com o arroz arbóreo ou carnaroli. Mas esta fornada com espinafre e cream cheese ficou bem saborosa.

(Se você vem sempre aqui, vai dizer: mas espinafre de novo? Pois é. Espinafre entrou aqui em casa faz bem pouco tempo, mas a gente gamou nele!)

Esta semana também vai ter receita de barrinha de cereais com quinoa.

Fornada de quinoa, espinafre e cream cheese

Ingredientes:
½ xícara de quinoa cozida por 12 minutos em 1 + ½ xícara de água
½ maço de espinafre cozido no vapor e picado (alternativamente, você pode jogá-lo na água fervente e em seguida transferi-lo para uma tigela com água gelada - processo conhecido como branqueamento, ou se o espinafre estiver congelado, basta quebrar as folhas congeladas com as mãos e deitá-las direito no refogado)
2 colheres (sopa) de cream cheese (alternativamente, use queijo cottage) 
1 ovo
Temperos a gosto: cebola em cubos e alho amassado, sal, salsa, manjericão e tomilho frescos picados, uma pitada de páprica picante


Refogue o alho e a cebola no óleo. Adicione o espinafre e refogue, acrescente o cream cheese e mexa mais um pouco somente até incorporar.

Misture o espinafre com a quinoa cozida e o ovo.

Despeje em um refratário médio (usei um de 20 x 20 cm), untado e enfarinhado com farinha de mandioca.

Asse por cerca de 30 minutos em forno moderado.

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Espera-marido


Alguns doces, desses antigos da roça, da culinária tradicional, têm nomes tão engraçadinhos, não é? Beijinho, olho de sogra, papo de anjo, pé-de-moleque, beijo de freira, bem-casado! E espera-marido! Que é um doce bem doce que me enlouquece, de tanto que eu gosto. Só faço espera-marido mais ou menos uma vez por ano, porque sou gulosa e não consigo parar de comer até o doce acabar.

Quando a gente fala em espera-marido, alguém logo diz: ah, ambrosia! Mas não são a mesma coisa. Aliás, existe uma receita de espera-marido que é de preparo rápido, com doce de leite pronto. Não, a receita que eu herdei da família do meu pai é de preparo demorado, e eu só consigo pensar nesse doce sendo feito num tempo e num lugar em que a vida é vivida com mais calma, com tempo para apurar os sabores.

Então a minha receita vem de Sergipe. O espera-marido perfeito é aquele em que uma calda dourada e espessa se separa do leite e envolve os grumos de doce. Eu não sei exatamente o que é preciso pra conseguir isso. Talvez sorte?

Da última vez, usei bem menos açúcar, então não teve caldinha, mas o doce ficou igualmente bom e até menos enjoativo. Em todo caso, seguem a receita original e a adaptada.

Espera-Marido

2 litros de leite integral
12 ovos (usei 10 ovos orgânicos)
1 + 1/2 kg de açúcar (usei somente 1 quilo)
Canela em pau

Bata todos os ovos no liquidificador com um pouco de leite.
Despeje em uma panela funda e misture ao leite e açúcar.
Leve a ferver. Deixe a fervura abaixar quantas vezes for preciso até que o leite pare de subir e comece a cozinhar.
A partir desse momento, você não deve mais mexer a panela. Deixe cozinhar na chama mínima para o doce apurar bem devagarinho. Vai levar pelo menos 2 horas.
O ponto é quando o doce está bem douradinho e firme, envolvido na calda que se forma durante o cozimento.
Se você tiver uma linda compoteira daquelas antigas, use-a!


terça-feira, 9 de outubro de 2012

A versatilidade do espinafre


De repente o espinafre ficou muito popular aqui em casa e começou a aparecer em vários pratos. Confesso que não são muitas as verduras que fazem sucesso por aqui. Eu como pouca verdura cozida ou crua, mas o filho adolescente, esse não come nunca a verdura sozinha, só em certos preparos.

E como nosso consumo é pequeno, conservação é muito importante aqui, para evitar desperdícios. Com verduras de folha e ervas, eu faço assim: separo as folhas boas, lavo muito bem e retiro o máximo possível de água na centrífuga. Depois embalo num pano de prato limpo e sacudo bem. Daí guardo em uma tigela, intercalando com papel toalha. As verduras e ervas duram muito tempo assim, até duas semanas!

No caso do espinafre, costumo congelar as folhas higienizadas e secas em um saquinho. Depois de congeladas, é só apertar bem o saco com as mãos para ter espinafre picadinho. Dali ele pode ir direto para a sopa, o feijão ou outros preparos, como estes que eu ensino ali embaixo.


Gosto de cozinhar o espinafre no vapor, e para isso, nada melhor do que a panela de bambu. A minha é essa aí de cima, que comprei na Liberdade. Mas para a maioria das receitas, o espinafre nem precisaria ser pré-cozido. Também vale ter no freezer um pacote de espinafre congelado desses de supermercado.


Macarrão com molho de espinafre e creme de leite



Este é um prato daqueles vapt-vupt.

Cozinhe a massa de sua preferência.

Enquanto isso, refogue cebola, alho e os temperos de sua preferência em uma colher de óleo ou azeite. Acrescente espinafre picado (pode ser pré-cozido no vapor ou não) e refogue ligeiramente. Adicione creme de leite (fresco ou de caixinha) e mexa só até aquecer, sem deixar ferver. Desligue o fogo, acerte o sal, moa um pouco de pimenta-do-reino branca por cima e misture bem com a massa.


Cação com molho de espinafre e creme de leite




Ok, creme de leite de novo, reconheço. Mas é que os dois casam muito bem!

No dia em que preparei esse prato, fiquei tão feliz comigo mesma, porque era um dia de trabalho insano, em que normalmente comeríamos sanduíches.

Descongelei 2 postas de cação e temperei com sal, pimenta e alho picado.

Deitei num refratário, por cima despejei espinafre congelado direto do freezer. Abri uma caixinha de creme de leite e despejei por cima. Finalizei com sal, noz moscada ralada na hora e queijo ralado.
Vinte minutos de forno e pronto, acompanhado de arroz branco, tivemos uma refeição saudável e deliciosa!

*****

Tenho mais duas receitas de espinafre, a lasanha e o suflê. Mas estou achando que é muito espinafre pra pouco blog, né? Daqui a mais uns dias eu publico essas.


*****

A Ana Paula, que divide com a Monise e a Thais um dos meus blogs de comida favoritos, o Brigadeiro de Colher, fez e publicou minha receita de bolo de figo (veja aqui). Ficou muito lisonjeada e recomendo demais a visita, porque elas publicam receitas deliciosas! Uma das minhas favoritas é a receita de buttercream da Monise, aqui


sexta-feira, 28 de setembro de 2012

A comida das novelas: Arroz de forno da Penha

Hoje é o último capítulo da novela das 7 da Globo, Cheias de Charme. Várias amigas noveleiras virão aqui pra casa para assistirmos e nos emocionarmos juntas. Mas, desde quando final de novela da Globo virou motivo de comemoração?

Cheias de Charme teve 3 empregadas domésticas como protagonistas, o que não é exatamente estranho, dada a ascensão da classe C desde o governo do ex-presidente Lula, cuja economia permitiu um aumento de renda e trouxe essa camada da população para o universo do consumo, despertando, logicamente, o interesse do mercado e dos anunciantes de TV.

Mas a novela foi além: discutiu os direitos das trabalhadoras domésticas (sim, a vastíssima maioria das pessoas no trabalho doméstico é de mulheres, e a grande maioria destas é de mulheres negras), tocou na ferida da exploração do trabalho infantil, e no último capítulo vai mostrar a condenação do casal Sarmento por haver explorado o trabalho da empreguete Cida (personagem da atriz  Isabelle Drummond) desde os 12 anos de idade, em troca de casa e comida (o que é considerada situação análoga à escravidão), sem registro em carteira e sem direitos. Infelizmente, a prática de "pegar menina para criar" ainda persiste no Brasil, por incrível que pareça.

A novela foi um laboratório bem-sucedido de interação com a internet, e valeu-se da web também para promover conscientização sobre os aspectos legais do trabalho doméstico. Na trama, Penha (Taís Araújo) e Lygia (Malu Galli), que além de amigas (depois de terem sido empregada e patroa uma da outra), trabalham juntas no escritório Amaro Werneck, especializado em direito do trabalhador doméstico, gravam um vídeo sobre direitos e deveres de patrões/patroas e empregados(as), para ser publicado no site da empresa fictícia. Mas o site existe na vida real (vinculado ao site da novela) e, além do vídeo, contém links para reportagens e artigos sobre o tema. Mais do que mero entretenimento, está prestando um serviço público. Como não amar?

E houve cenas memoráveis, como aquela em que duas moradoras do condomínio Casagrande (nome, aliás, muito sugestivo) reclamam quando a Penha usa o elevador social e não o de serviço, e levam um esculacho de Otto (Leopoldo Pacheco). Apesar do ridículo da situação, a maioria dos condomínios de alto padrão aqui de São Paulo obriga as empregadas e babás a entrarem pela porta de serviço, e até aqui no meu prédio um síndico patético quis implementar a discriminação (que é proibida por lei), mas teve que recuar diante da reação dos moradores.

Para mim, em termos pessoais, foi a oportunidade de largar de preconceito contra as novelas, e hoje eu sou noveleira assumida e me divirto horrores com a minha rede de amigas comentando o capítulo no Twitter durante a exibição.

Uma dessas amigas noveleiras sugeriu que eu publicasse uma série de pratos das novelas, pois várias personagens produzem suas especialidades nas novelas e algumas receitas são publicadas em seu site.

Então eu preparei o arroz de forno da Penha quando essa amiga veio me visitar. A receita não foi publicada no site da novela, mas arroz de forno (que não é risoto, favor não confundir) é um prato que teve presença constante na minha infância, pois na minha casa de posses relativamente modestas, minha mãe o preparava para o almoço de aniversário de cada um de nós. Então é uma comidinha de memória afetiva que lembra comemoração.

E motivo para comemorar é o que não falta: um país um pouco menos injusto do que antes, onde as mulheres de baixa renda hoje começam a ter mais opções de trabalho, a informação circula mais do que antes e há esperança; uma novela engraçada e inovadora (que venham muitas outras); e claro, a amizade! Meu carinho por vocês, amigas feministas e noveleiras: Bia, Iara, Renata, Iara Ávila (vale ler o ótimo post da Iara sobre a novela aqui), Suely, Marília.



Arroz de forno

1/2 kg de arroz (usei arroz integral)
1/2 kg de sobrecoxas de frango desossadas e cortadas em cubo
2 gomos de calabresa cortada em cubos
200 g de ervilhas
50 g de azeitonas verdes descaroçadas e cortadas em rodelas
6 ovos cozidos, descascados e cortados em rodelas grossas
300 g de molho de tomate (de preferência caseiro)
200 g de mussarela
Temperos a gosto: cebola e alho picados, sal, pimenta-do-reino, cominho e salsa picada
Óleo ou azeite

Lave e escorra o arroz.
Frite bem a calabresa, escorra, reserve e descarte o óleo.
Refogue bem os temperos (exceto a salsa) em um pouco de óleo ou azeite, adicione os cubos de frango e refogue bem.
Coloque o arroz e água (se usar arroz integral, na proporção de 1 parte de arroz para 3 de água), tampe a panela e inicie o cozimento.
Mais ou menos no meio do tempo do cozimento, adicione as ervilhas e azeitonas.
Um pouco antes do término do cozimento, adicione o molho de tomate e acerte o sal. Por fim, coloque a salsa picada, desligue a panela e mantenha tampada por algum tempo para o arroz secar bem.
Coloque o arroz em um refratário, alternando com camadas de mussarela e ovos cozidos.
Leve ao forno durante alguns minutos para derreter o queijo.

Opcionalmente, você pode preparar um refogado e usar com arroz previamente cozido.

domingo, 9 de setembro de 2012

Bolo de chocolate com coco sem glúten



Decidi republicar esta receita especialmente pra minha querida amiga Sabrina, que tem intolerância a trigo e nem por isso deixa de merecer comidinhas gostosinhas!

É um bolo muito fácil de fazer e saboroso, que não leva nadinha de farinha. Ele pode ser recheado com geleia ou servido com nata, mas puro também é uma delícia!

A receita foi ligeiramente adaptada do bolo original da sogra de uma amiga.


Bolo de chocolate com coco

Ingredientes:
6 ovos
3 colheres (sopa) de manteiga
3 colheres (sopa) de chocolate em pó
3 colheres (sopa) de açúcar
1 pacote de coco ralado (100 g)
1 colher (sopa) de fermento em pó

Bata todos os ingredientes no liquidificador e leve a assar em uma forma média untada.


PS: Este blog andou em ritmo muito mais lento nas últimas duas semanas porque meu filho fez uma cirurgia sexta passada e eu andei bem estressada, o que só foi compensado por ter recebido visitas fofas dois finais de semana seguidos. Agora voltamos ao ritmo.

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Canapés vegetarianos

O guardanapo de galinha d'angola veio da África do Sul e foi presente da amiga Ana Rüsche, que provou os canapés.

Quando a gente tem amigos vegetarianos, aprende a ter um cuidado especial ao planejar o cardápio. E descobre também que pode ser meio excludente fazer uma comidinha separada para o vegetariano, porque ela geralmente não vai ser caprichada. Na verdade, são grandes as chances de todo mundo se servir dela - afinal, a maioria dos onívoros come comidas vegetarianas, mas o contrário não é verdade - e não é raro o vegetariano acabar sem comida.

Então o ideal é inverter a lógica e fazer o prato principal vegetariano, e um ou outro acompanhamento à base de carne, por exemplo. Essa situação também faz a gente usar a cabeça para sair do óbvio, pesquisar e testar novas receitas.

Este ano comemorei meu aniversário com amig@s e havia algumas pessoas que não comem carne, então resolvi começar com canapés vegetarianos. Só não me perdoo por ter esquecido completamente que uma amiga tem intolerância a trigo e praticamente ficou sem opção.

A ideia dos rolinhos é da minha amiga Vevê Mambrini, que manda superbem nos cardápios, desde um jantar para veganos radicais a uma refeição gourmet num acampamento no alto de uma montanha.

Cestinhas com patê de gorgonzola e uva

Faça uma pasta com ricota e gorgonzola amassadas e passadas no processador. Usei 150 g de ricota para 80 g de gorgonzola. Adicione uma colher de maionese, requeijão ou creme de leite para dar liga. Tempere à gosto. Eu usei uma colher de caldo de limão siciliano e pimenta-do-reino branca.

Usando um saco de confeitar com bico de pitanga, coloque o patê em barquetes de massa (eu compro essas quadradinhas no Mercado da Lapa, em boxes de artigos de festa). Se não quiser usar ou não tiver o bico de confeitar, basta colocar o patê nas barquetes com uma colher. Finalize com uma uva sem semente (Crimson).

Rolinhos de espinafre

Cozinhe no vapor meio maço de espinafre. Pique bem miudinho e refogue-o rapidamente com óleo, cebola e alho. Opcionalmente, acrescente uma colher de maionese ou requeijão, mas é importante que esse recheio fique bem sequinho. Eu também coloquei passas escuras e um ovo cozido amassadinho.


Aqui eu usei massa semipronta Rap10 da Pullman, mas deve ficar até melhor com pão folha ou mesmo massa de panqueca. Espalhe um pouco da mistura em 3/4 de cada disco de massa, enrole bem firme, corte as pontas e divida em 4 pedaços, prendendo cada um com um palito.


No dia em que fiz esses canapés, usei a outra metade do maço de espinafre para preparar uma massa que vou postar aqui ainda esta semana!





quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Bolo de uva e uma promoção: degustação às cegas


De uns tempos pra cá, tenho achado que, apesar da imensa variedade de frutas que temos no Brasil (além das importadas, já facilmente encontradas em alguns supermercados e mercearias), nossos bolos se restringem a poucos sabores: banana, laranja, coco, além de chocolate, fubá, cenoura e uns poucos mais. Mas a verdade é que é bem possível usar o suco de muitas frutas como o elemento líquido do bolo. Estou até pensando aqui em experimentar um bolo de manga!

Tenho uma receita de bolo de banana que já fez muito sucesso e durante algum tempo era a sobremesa que me identificava e que todo mundo pedia para eu preparar. Alguns diziam que até tentavam fazer, mas não ficava boa. Ora, isso quase sempre é argumento de quem prefere comer sem cozinhar, porque seguindo direitinho a receita e os princípios básicos, pouca coisa pode dar errado.

Enfim, lembrei de preparar esse bolo com uvas adaptando ligeiramente a receita do bolo de banana (que eu publiquei tempos atrás no Feministas na Cozinha). Minha amiga Renata, que também já havia provado e aprovado o bolo de figo, teve uma reação bem entusiasmada ao experimentar este bolo de uva, então presumo que tenha ficado realmente bom!

Bolo de uva
1 xícara de açúcar
1 xícara de farinha de trigo
1 xícara de amido de milho
1 colher (sopa) de fermento em pó
80 g de manteiga
3/4 de xícara de leite integral
2 ovos batidos
Uvas sem caroço (Crimsom)

Peneire os ingredientes secos e misture muito bem a manteiga com as mãos, até obter uma espécie de farofa.

À parte, bata os ovos com o leite.

Unte e enfarinhe uma forma (usei uma forma redonda de 20 cm de diâmetro). Despeje a metade da massa seca, forre com uma camada de uva e cubra com o restante da massa seca. Para finalizar, despeje a misture de leite com ovos.

Asse em forno médio, pré-aquecido, até estar dourado e firme. As uvas ficarão bem macias!


Degustação às cegas



A Letícia Massula, da Cozinha da Matilde, que eu estou sempre citando aqui, mais a Larissa Januário, jornalista de gastronomia que tem um blog muito simpático, o Sem Medida, participaram do programa Bem Estar da Rede Globo e prepararam uma degustação às cegas, que contou com a participação do ex-jogador de futebol Raí, dentro da proposta de ajudar pessoas com problemas de peso e alterações metabólicas preocupantes a se alimentar melhor. [Você pode assistir ao programa aqui]

Elas curtiram tanto a experiência que resolveram sortear 6 pessoas (3 de cada blog) para participar de uma degustação às cegas na Cozinha da Matilde. É só correr em um dos dois blogs, ler direitinho o regulamento e participar! Garanto que vai ser ótimo, porque além de excelentes cozinheiras, essas duas são divertidíssimas e a Cozinha da Matilde é uma graça!

Clique aqui: http://www.cozinhadamatilde.com.br/receitas-do-programa-bem-estar-e-uma-super-promocao/
Ou aqui: http://semmedida.com/receitas/as-receitas-do-programa-bem-estar-da-rede-globo-uma-super-promocao/


Ah, e veja também as receitas deliciosas da degustação do programa Bem Estar. Eu provei os chips de abóbora e posso garantir que são uma loucura!

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Quiche


Hoje é sexta e ninguém quer ter muito trabalho para fazer o jantar, certo? E para não cair na mesmice de pedir pizza outra vez, que tal preparar uma quiche e servi-la acompanhada de uma salada?

As opções de recheio são muitas. A tradicional, quiche Lorraine, leva bacon em cubos bem fritinhos e secos e queijo gruyere ou outro queijo ralado grosso. Também fica ótima com verduras, que acaba sendo uma excelente opção para receber amigos vegetarianos.

Quiche

2 xícaras de farinha de trigo
100 g de manteiga
1 ovo
1/2 colher (chá) de sal

Para o recheio:
3 ovos
1 caixa de creme de leite
Noz moscada ralada na hora
Sal a gosto
Na quiche da foto: 150 g de peito de peru picado

Misture bem os ingredientes da massa, formando uma bola. Unte uma forma de quiche com fundo removível e coloque nela a massa. Não é necessário abrir com rolo, basta ir colocando pedaços de massa no fundo e lateral da forma e pressionando com os dedos. Não deixe excesso de massa nos cantos para não ficar grosso. Fure a massa com um garfo e leve a assar por 10 minutos em forno pré-aquecido.

Bata os ovos com o creme de leite, adicione a noz moscada e o sal e coloque o recheio de sua preferência. Despeje sobre a massa pré-assada e leve ao forno até estar firme e dourado.

Sirva em seguida.

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Liberdade, macarrão e a panela de bambu

Sábado fui passear no bairro da Liberdade. Aquilo é uma espécie de parque de diversões para quem gosta de cozinhar, com mil utensílios, ingredientes exóticos, aparelhos engenhosos e jogos de panelas luxuosos. Fiz a festa!

Depois fui almoçar num restaurante que há mais de um ano eu queria conhecer. Foi assim: no começo do ano passado, quando eu ainda nem conhecia pessoalmente a chef Letícia Massula, da Cozinha da Matilde, vi este vídeo de uma matéria que ela fez para a Globo, sobre diversidade gastronômica, e o restaurante chinês do macarrão mágico não me saiu da cabeça.

O restaurante Rong He fica fora do movimento das lojas e restaurantes, na Rua da Glória, 622. Se você clicar no link deste parágrafo para ir à página do restaurante, verá um vídeo com o incrível preparo manual da massa. É impressionante, e faz a gente lembrar que quem inventou o macarrão, afinal, foram os chineses, não os italianos!

O restaurante é bem simples, o preço é muito camarada, e os clientes compartilham as mesas longas. Eu estava sozinha e fiquei até meio encabulada quando colocaram na minha frente esta tigela enorme de macarrão ao molho apimentado (R$27,00), que alimentaria tranquilamente 3 pessoas e é servido com uma tesoura para você cortar a massa. E mesmo assim ainda fiquei de olho comprido na guoyza que vi muita gente pedindo e que parecia deliciosa!


Ainda no sábado comprei uma panela de bambu para cozimento a vapor que vi a Letícia usando numa aula de gastronomia. Eu estava tentada, mas também preocupada em trazer para casa mais uma tranqueira. Na Towa (Praça da Liberdade, 113) encontrei a versão pequenina da panela, e como não custava caro, acabei trazendo. No fim ela se revelou uma excelente aquisição!


Para experimentar minha nova panela de bambu, cozinhei uma porção de camarões. Funciona assim: a panela tem 2 "andares" e mais a tampa. Em cada andar, coloquei alguns camarões que já estavam limpos e temperados com sal, pimenta-do-reino branca e limão siciliano. Tampei e coloquei sobre uma panelinha com água fervendo. A panela de bambu não pode ficar imersa na água, só apoiada sobre a panela. O camarão cozinha muito rápido e aquela água que normalmente se forma na panela escorre toda pela estrutura vazada. E mesmo a minha panela sendo pequena, ela acomodou 15 camarões grandes com folga.

Daí preparei uma massa com manteiga e limão siciliano que a Anouska e a Deborah haviam comentado no 365 Dias de Comida Honesta do Facebook. Sabe a definição de refeição feliz e fácil? Então, é essa!


Farfalle com camarões, manteiga e limão siciliano

Ingredientes:
200 g de farfalle (opcionalmente, massa sem glúten)
300 g de camarões grandes, previamente limpos
2 colheres de manteiga
1 + 1/2 limões sicilianos
Cebola, sal, pimenta-do-reino e salsinha picada

Limpe e tempere os camarões com o caldo de meio limão siciliano, sal e pimenta à gosto. Se for possível temperá-los algumas horas antes, melhor.

Cozinhe os camarões no vapor. Se não for possível cozinhar no vapor, cozinhe numa panela normal e descarte a água que se forma. Reserve os camarões.

Leve a massa para cozinhar em uma panela com água e sal.

Em outra panela, derreta a manteiga e doure uma cebola finamente picada. Adicione os camarões e refogue por 1 ou 2 minutos.

Escorra a massa, reservando meio copo do líquido do cozimento. Despeje a massa na panela com o molho e mantenha no fogo por uns 2 minutos, hidratando com o líquido do cozimento.

Salpique a salsinha finamente picada e sirva em seguida.

Serve 2 pessoas.

Dica:
Esse prato pode ser preparado com massa sem glúten, por exemplo, macarrão de arroz. A Casa Santa Luzia (Al. Lorena, 1471) tem várias opções.

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Bolo de laranja sem glúten


Este é mais um bolo da série sem glúten. É uma delícia, macio e fofo!

Como já comentei aqui, nós não temos intolerância ao trigo, mas por recomendação da nutricionista, meu filho está evitando glúten e tem feito bem para ele. Por outro lado, tenho me esforçado para pensar em formas novas de cozinhar, contemplando pessoas que têm uma determinada condição que as impede de consumir uma dieta à base de trigo. É importante que elas possam desfrutar do prazer de comer comidas gostosinhas também.

Bolo de laranja sem glúten

Ingredientes:
2 laranjas descascadas, sem sementes e sem a pele branca
1 xícara de açúcar
4 ovos
1/2 xícara de óleo vegetal
1 xícara de farinha preparada (ver abaixo)
1 xícara de farinha de amêndoas
1 colher (sobremesa) de fermento em pó
1 colher (café) de bicarbonato de sódio

Bata no liquidificador as gemas, o óleo, o açúcar e as laranjas.

Em uma tigela, peneire a farinha preparada, o fermento e o bicarbonato. Acrescente a farinha de amêndoas, despeje o conteúdo do liquidificador e misture bem. Reserve

Bata as claras em neve (eu bato à mão mesmo, com o fouet). Incorpore delicadamente à massa.

Leve a assar em forno pré-aquecido à temperatura média, em uma forma grande.

Cobertura:
Caldo de 1/2 laranja
Açúcar de confeiteiro
Raspas de laranja

Acrescente açúcar de confeiteiro ao caldo da laranja até que esteja ligeiramente espesso e derrame sobre o bolo. Finalize com raspas de laranja.

Farinha preparada:
3 xícaras de farinha de arroz
1 xícara de fécula de batata
1/2 xícara de polvilho doce
Misture tudo e guarde em pote bem fechado.

Dicas:
Bolos e pães sem glúten aderem à forma e são difíceis de desenformar. Recomendo usar forma de silicone.
A farinha de amêndoas pode ser encontrada na Zona Cerealista ou no Mercado da Lapa (box 54 ou box 104). As outras farinhas são fáceis de encontrar no Pão de Açúcar ou outros supermercados.



sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Ensopado de lentilhas indiano (dahl)


Faz relativamente pouco tempo que eu conheci alguns pratos da culinária indiana. Um primo meu é um dos donos do Madhu, na Rua Augusta, ali pertinho dos cinemas, que tem pratos bem servidos a preços honestos. Foi lá que eu descobri essa bebida deliciosa e refrescante que é o lassi.

Outro restaurante indiano que eu aprecio muito é o Gopala Madhava, ali pertinho, na Rua Antonio Carlos. Eles têm apenas duas opções de prato por dia, mas cada uma com várias pequenas porções de receitas indianas, todas vegetarianas. Mas é preciso ir com tempo, porque sempre tem fila na porta.

Acho que foi lá que eu experimentei o dahl de lentilhas. Depois criei a minha versão não-vegetariana, com calabresa, e é rara a semana em que não faço esse delicioso ensopado aqui em casa.

Nas minhas pesquisas, encontrei muitas maneiras diferentes de preparar o dahl de lentilhas: com leite de coco, com temperos e legumes variados, com arroz. Preciso deixar claro que conheço muito pouco da culinária indiana para afirmar que a minha versão do dahl é a mais comum. Isso sem contar a adição da linguiça calabresa totalmente por minha conta, já que os indianos levam o vegetarianismo muito a sério, ao ponto de vegetarianos terem a preferência no aluguel de imóveis, por exemplo, conforme soube por uma brasileira que foi morar lá.

Um último detalhe: eu uso garam masala neste prato, uma mistura de especiarias torradas e moídas, com cominho, sementes de coentro, pimenta-do-reino, cardamomo, cravo-da-índia, canela, etc. Na Índia, cada pessoa tem a sua combinação pessoal. A minha vem do Mercado da Cantareira. =)

Ensopado de lentilhas indiano

Ingredientes:
1 xícara de lentilhas
1 cenoura
1 abobrinha
1 pimenta dedo-de-moça
1 colher (chá) de garam masala
2 colheres (sopa) de óleo vegetal
Cebola, alho, sal, folhas de louro
Coentro ou salsinha
Opcional: meio gomo de calabresa

Cozinhe a lentilha em água com algumas folhas de louro. À parte, corte os vegetais em cubos pequenos.

Em uma panela separada, aqueça o óleo e refogue bem a cebola, a pimenta dedo-de-moça e o alho finamente picados, o sal e o garam masala. Se você for usar a calabresa, corte-a em cubinhos e refogue-a bem. A seguir, acrescente os legumes e deixe suar bem, até que eles comecem a ficar macios.

Quando a lentilha já estiver quase cozida, acrescente o refogado e deixe cozinhar mais um pouco, até que a lentilha e os legumes estejam cozidos mas firmes. Finalize com salsa ou coentro bem picadinhos.

Sirva com arroz branco ou integral.

PS: Este prato entra na categoria vegetariana, apesar da calabresa da foto, porque o prato é vegetariano mesmo. Eu é que sou louca por calabresa e coloco em vários pratos por minha conta.

Dica:
Não cozinhe a lentilha em panela de pressão, pois ela pode amolecer demais e se desmanchar. Na panela regular é mais fácil de controlar o cozimento. Vá acrescentando mais água, se necessário.
Costumo acrescentar o sal e os condimentos ao refogar a cebola, para que liberem todo seu sabor e aroma no óleo.






quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Pão sem glúten


Os produtos sem glúten entraram na nossa vida com a dieta do Lucas, por recomendação da nutricionista, a Priscila Di Ciero. Adaptar as receitas de bolo foi fácil - publiquei aqui uma receita de bolo de chocolate sem glúten e semana que vem vou postar a receita do bolo de laranja gluten free.

Mas com pão não foi tão simples: testei várias receitas e nem todas ficaram boas. O pão sem glúten não tem a elasticidade dos outros pães, e com frequência fica espesso, quebradiço, massudo. Péssimo para fazer lanche para o Lucas levar pra escola.

Daí outro dia a linda da Sabrina Alves, que tem intolerância a trigo, compartilhou, lá no 365 Dias de Comida Honesta do Facebook, uma receita de pão sem glúten para panificadora elétrica. Bueno, eu não tenho panificadora  (nem pretendo ter), mas a lógica é que pão sem glúten não necessita de sova, que é o  principal atrativo da panificadora, então por que não tentar manualmente? E não é que deu certo? O pão ficou alto e macio, talvez por causa dos ovos.

Pão sem glúten (editado)
3 colheres (sopa) de óleo vegetal
3 ovos em temperatura ambiente
1 xícara de leite ou água morna
1/2 colher (chá) de sal
2 colheres (sopa) de açúcar
2 tabletes de fermento biológico fresco*
2,5 xícaras de farinha de arroz
2/3 de xícara de fécula de batata ou amido de milho
1/3 de xícara de polvilho doce

* Neste pão, o fermento fresco funciona melhor do que o seco.

Em uma tigela, misture a água morna com o açúcar e dissolva os tabletes de fermento. Aguarde 10 a 15 minutos até que o fermento comece a espumar.

Adicione o óleo e os ovos, peneire sobre eles os ingredientes secos e misture tudo com um fouet, sem bater muito.

Coloque a massa em uma forma de pão, de preferência de silicone (se usar forma de metal, unte e enfarinhe bem e forre o fundo com papel manteiga), preenchendo no máximo 2/3 da capacidade. Deixe o pão crescer bem - isso pode levar pelo menos 30 minutos, dependendo do clima.

Asse em forno pré-aquecido à temperatura média por 25 a 30 minutos, até dourar.

Dica:
Pães e bolos sem glúten são danados para grudar na forma. O melhor é usar forma de silicone (apoiada sobre um tabuleiro para não queimar), e mesmo assim eu costumo polvilhar a forma com um pouco de farinha de arroz antes. Desenforme morno com bastante cuidado e deixe terminar de esfriar sobre uma grade de resfriamento.

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Clafoutis de framboesa e amoras, ou a sobremesa definitiva!


Já fazia algum tempo que eu vinha acalentando a ideia de testar a receita de clafoutis (mas parece que só chama clafoutis se for feito com cerejas - versões com outras frutas levam o nome de flaugnard). Pesquisei as receitas na internet e a que me pareceu melhor e mais prática foi a do excelente blog da Patrícia Scarpin, o Technicolor Kitchen.

Eu tinha um potinho de framboesas e amoras congeladas e ontem finalmente preparei. E saiu a sobremesa mais saborosa que eu já provei! Ele tem a textura de um flan espesso e acetinado, e o sabor casou superbem com o azedinho das amoras e framboesas. O único problema é que demorou mais de uma hora para assar, e as framboesas acabaram ficando bem moles. Também achei meio chatinho sentir as sementinhas das amoras na boca, mas sei lá, eu não como amoras toda hora e não sei se é assim.

A versão da Patrícia, com ameixas cozidas, deve ficar muito boa - sem falar que ameixas não têm o preço quase proibitivo das amoras e framboesas. E claro, a receita com cerejas deve ficar incrível! Mas estou tentada a testar com frutas tropicais também!

Certeza que clafoutis vai ser minha sobremesa definitiva quando receber amigos! Além de tudo, é facílimo de preparar!

Clafoutis de framboesas e amoras
4 ovos grandes
1 xícara de açúcar refinado
3/4 de xícara de farinha de trigo
400 ml de creme de leite fresco
raspas de uma fava de baunilha

Utilizando um fouet, bata os ovos com o açúcar e as raspas de fava, peneire a farinha por cima e bata até misturar bem. Adicione o creme de leite e incorpore totalmente, sem bater demais.

Em um refratário largo e baixo, espalhe as framboesas e amoras, despeje a massa por cima e leve a assar em forno pré-aquecido por 40 minutos.



quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Bolo de banana


Encontrei esta receita em algum site americano que não lembro mais qual é, sob o título "melhor pão de banana do mundo". Acontece que, primeiro, para mim, isso é bolo, não pão. E segundo, acho um pouco pretensioso demais dizer que é o melhor do mundo. Mas sem dúvida é um bolo delicioso. Além de fácil de fazer.

Bolo de banana

Ingredientes:
3 ovos
1/2 pote de iogurte natural integral
1/2 xícara de óleo
3 bananas naninas maduras cortadas em rodelas
1 xícara de açúcar refinado
1/2 xícara de açúcar mascavo
1 colher (chá) de essência de baunilha
2 xícaras de farinha de trigo branca
1 colher (chá) de bicarbonato de sódio
1 pitada de sal
1/2 colher (chá) de canela em pó
1/2 colher (chá) de cardamomo em pó

Bata bem no liquidificador os ovos, o iogurte, o óleo, as bananas, os açúcares e a baunilha.

Em uma tigela, peneire os ingredientes secos. Adicione o conteúdo do liquidificador e incorpore bem.

Asse em forma grande, à temperatura média em forno pré-aquecido, durante cerca de 40 minutos.

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Docinhos caseiros

Acho fundamental conhecer meus fornecedores de alimentos e saber a procedência daquilo que eu consumo. Por isso mesmo, gosto de fazer minhas compras, por exemplo, no Mercado da Lapa, quase sempre nos mesmos boxes, onde já conheço os vendedores. Rolam papos agradáveis e uma relação de confiança. 

De todas as pessoas de quem eu compro, de longe a Dona Elisa é a mais querida. Ela vende doces caseiros na feira da minha rua, mas só a cada 3 semanas, porque a feira aqui é totalmente decadente, com meia dúzia de barracas.


Os doces da Dona Elisa são caprichados, com gosto de fruta mesmo. A geleia de goiaba dela é do outro mundo, com gosto e aroma de fruta de verdade, e eu comprei algumas vezes para fazer o bolo Romeu e Julieta que vou publicar em breve aqui no blog.


Doce de abóbora em pedaço, com a casquinha dura, figo cristalizado, figo em calda, doce de laranja, de mamão, goiabada cascão, geleias de morango, de maracujá com pera, de laranja. E tem também cocadas maravilhosas, molhadinhas ou assadas, e esses pãezinhos deliciosos. Quase sempre eu saio carregada de lá. 

E claro, Dona Elisa é uma dessas mulheres empreendedoras que eu admiro (e sobre as quais já escrevi aqui), que como tantas brasileiras, dá o seu jeito de produzir e vender sua produção e ganhar o seu dinheiro. Aliás, Dona Elisa é, com o pecado do trocadilho, um doce mesmo, atende as pessoas com um sorrisão e boa vontade, e de quem eu tenho a sorte de receber um abraço quentinho e carinhoso quando apareço lá na banca dela. 

Dona Elisa está toda semana na feira da Rua Luminárias, na Vila Madalena, às quartas-feiras, e na feira da Rua Dom João V, na Lapa, às quintas. É só procurar o rosto simpático ali em cima!

Que tal servir docinhos caseiros como sobremesa de um jantar caprichado?


segunda-feira, 23 de julho de 2012

Torta de frango e legumes estilo americana


Pesquisando receitas de torta de frango, encontrei esse tradicional prato americano, a chicken pot pie, que até se parece com o nosso empadão, mas é montada em um refratário e só coberta com massa. É o tipo de torta com muito mais recheio do que massa!

Como meu filho é muito enjoado com vegetais e eu ando cansada de tortas de liquidificador, peguei a ideia e adaptei ao gosto dele e aos legumes que eu tinha na geladeira no domingo à noite: uma abóbora paulista e uma cenoura. Surpreendentemente, o resultado foi excelente!


Claro que você pode e deve usar todos os vegetais que quiser. Eu quero testar com mandioquinha e abobrinha no recheio da próxima vez. Imagine como deve ficar bom com cogumelos também!

Torta de frango e legumes estilo torta americana

Ingredientes:
Meio peito de frango cozido
Caldo do cozimento do frango
1 abóbora paulista pequena, cortada em cubos pequenos
1 cenoura, cortada em cubos pequenos
Cebola e alho picados, sal e temperos a gosto (usei páprica, pimenta-do-reino branca e salsinha picada)
1 colher (sopa) de farinha de trigo branca

Para a massa (pode ser substituída por massa folhada comprada pronta, mas esta é muito fácil de fazer):
1 xícara de farinha de trigo branca
2 colheres (sopa) de manteiga
1 colher (chá) de fermento em pó
1 ovo
Sal a gosto
1 gema + 1 colher de água para pincelar

Modo de preparo:

1. Cozinhe o peito de frango em água com um talo de salsão, uma cebola espetada com 3 cravos, pedaços de cenoura, folhas de louro, talos de vegetais ou de cogumelos, enfim, os ingredientes que você tiver à mão para dar sabor ao caldo. Cozinhe na panela de pressão por 15 minutos contados a partir do início da pressão. Ao final, deixe o frango esfriar e reserve o caldo. 

2. Prepare a massa: misture bem todos os ingredientes, enrole em filme plástico e mantenha na geladeira por no mínimo 1 hora (é o tempo para cozinhar o frango, preparar a torta e deixar que ela esfrie um pouco).

3. Refogue a cebola com o alho, em seguida acrescente a cenoura e a abóbora em cubinhos e refogue por alguns minutos. Acrescente umas 2 a 3 conchas do caldo de frango e deixe cozinhar por cerca de 10 minutos, até que os vegetais estejam macios mas firmes.

4. Acrescente o frango picado grosseiramente com a faca. Adicione mais caldo se necessário, de modo a manter algum líquido. Em meio copo de água à temperatura ambiente, dissolva bem a farinha de trigo e despeje na panela, mexendo bem para não empelotar. Deixe o caldo engrossar sem secar, corrija o sal e finalize com pimenta-do-reino e salsinha picada.


5. Passe esse refogado para um ramekin ou outro refratário, de modo que o recheio preencha totalmente o recipiente - caso contrário a massa afundará. Uma ideia excelente é usar ramekins individuais. Deixe esfriar um pouco. Aqueça o forno.

6. Retire a massa da geladeira e abra com rolo sobre uma superfície enfarinhada, um pouco maior do que a circunferência do recipiente onde está o recheio. É muito importante fazer algumas aberturas na massa antes de transferi-la para o recipiente, pois essas aberturas é que permitirão a saída do vapor durante o cozimento. Cubra o refratário com a massa, de forma a sobrar cerca de 3 cm de cada lado. Pincele com a gema misturada com água e leve para assar por 15 minutos. 



Delicie-se!







quinta-feira, 19 de julho de 2012

Bolo de figo e especiarias


Minha amiga Renata é louca por figo. Por isso, eu me lembrei dela quando fiz este bolo tão aromático e levei para ela experimentar. A Renata deu à luz uma linda menininha no fim de junho, num emocionante parto domiciliar - conforme ela relata aqui. Quatro dias antes de a Liz nascer, fui fazer uma visitinha e preparei as bruschettas de figo e ricota seca da Letícia da Cozinha da Matilde, que são simplesmente maravilhosas - receita aqui! Enfim, fiquei feliz de mimar a Renata com dois pratos diferentes feitos com figo.

Bolo de figo e especiarias

Ingredientes:
3 ovos
1 xícara de açúcar mascavo
2 colheres (sopa) de manteiga
5 ou 6 figos frescos descascados e passados no processador
2 xícaras de farinha de trigo peneirada
1 colher (sobremesa) de fermento em pó
1/2 colher (chá) de canela em pó
1/2 colher (café) de cardamomo em pó
1/2 colher (café) de cravo em pó

Bata as claras em neve e reserve.
Bata bem o açúcar com as gemas e a manteiga. Desligue a batedeira e acrescente os demais ingredientes, exceto o fermento e as claras. Leve à batedeira por mais 1 minuto no máximo.
Desligue, incorpore o fermento em pó peneirado e em seguida as claras em neve.
Asse em forma média, em forno moderado pré-aquecido.






terça-feira, 17 de julho de 2012

A culinária do sertão


Semana passada li "O Não Me Deixes" da Rachel de Queiroz. (3a. ed., Ed. José Olympio, 2010).
Nele a Rachel abre as portas da casa de fazenda no interior do Ceará pra mostrar os hábitos culinários e sociais.
Nas palavras dela: "Casa tão rústica, austera como um convento pobre, as paredes caiadas, os ladrilhos vermelhos, o soalho areado. As instalações rudimentares, a lenha a queimar no fogão, a água de beber a refrescar nos potes."
Mas, apesar da simplicidade e da falta de conforto, ela reconhece o apego ao lugar: "Por que tanto carinho e amor por estas terras ásperas? Não sei. Mistério é assim: está aí e ninguém sabe. Talvez a gente se sinta mais pura, mais nua, mais lavada. E depois a gente sonha."
E ao terminar de ler, a gente se sente meio deslocada nessa metrópole do consumo estéril: "Há um prazer áspero na permanente descoberta de quanto supérfluo a gente se sobrecarrega e de como é fácil a gente se despojar dele. É como tirar uma casca suja. Ou uma pele velha, seca, engelhada."
Enquanto descreve a paisagem e os hábitos, Rachel discorre sobre a culinária local, toda feita ali, com o fruto escasso da terra e das criações. Fiquei impressionada com a descrição de como se preparam o queijo coalho, a farinha de mandioca e a cajuína.
As receitas em si, reconheço, não são exatamente práticas pra gente aqui da cidade grande.
Tudo entremeado de histórias desse povo simples e cheio de princípios que é o nordestino. Fiquei encantada com o trecho em que Rachel descreve as festas alegradas pelos "tocadores":
"Nas suas melhores roupas e na maior educação, chegam-se [as moças e rapazes da redondeza] para cumprimentar os donos da casa e as visitas, e vão se abancando no parapeito do alpendre. Lá pelas tantas, depois de muitas conversas e cantorias, vêm pedir licença para dançar. A licença é dada, e os pares logo enchem o alpendre. Sem namoros, sem agarramentos, sem conversas, e a gente bem vê que é só o prazer da dança".
É um retrato bonito dessa gente tão incompreendida aqui no Sul.
Rachel de Queiroz (1910-2003) foi uma das grandes presenças feministas na literatura. Foi militante comunista e a primeira mulher eleita para a Academia Brasileira de Letras. Suas obras mais famosas são O Quinze, Memorial de Maria Moura e Dora, Doralina. Também traduziu grandes obras, inclusive várias de Dostoievski.
(Este post foi publicado originalmente no meu blog Lia de Lua em 15/11/10)

domingo, 15 de julho de 2012

Iogurte caseiro

Fazer iogurte caseiro em casa é muito fácil e econômico (mais ou menos a metade do preço). Mas principalmente mais saudável. 

Outro dia a Iara levantou a lebre no 365 Dias de Comida Honesta: tem iogurte "natural" no mercado que além de leite e fermento lácteo, contém em sua composição amido modificado, estabilizante e gelatina. Como assim??? E olha que é marca forte no mercado.

Ler os rótulos dos produtos é um hábito que eu ainda estou adquirindo. Mas não ajuda nada o fato de  informações importantes do produto serem grafadas em letras minúsculas, praticamente ilegíveis para quem não tem visão perfeita. As pessoas idosas são as têm mais restrições alimentares e são justamente as que, no geral, enxergam com mais dificuldade. Pra gente ver como as indústrias tratam o consumidor.

Claro que é possível fazer iogurte usando fermento lácteo, mas vamos pelo método mais acessível.

Iogurte natural caseiro

Ingredientes:
1 litro de leite integral*
150 ml de iogurte natural

Ferva o leite e reserve.
Após cerca de 30 minutos, comece a testar a temperatura do leite fazendo o seguinte teste: mergulhe o dedo indicador no leite. Quando a temperatura for suportável durante 30 segundos, é hora de adicionar o iogurte. Não espere o leite esfriar.
Misture bem o iogurte, coloque num pote com tampa, embrulhe com uma toalha grossa e deixe num canto de um dia para o outro. Ele ficará firme. Mantenha refrigerado por até 10 dias.

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Bolo de iogurte e chocolate sem glúten


Lucas começou um acompanhamento com a nutricionista, e uma das mudanças mais importantes na primeira fase foi tirar os alimentos com glúten da dieta por 2 meses. Com algumas pesquisas e mais umas adaptações, cheguei a uma receita de bolo muito boa, que tenho testado com vários ingredientes diferentes. Desta vez foi chocolate e ficou ótimo!

Bolo de iogurte e chocolate sem glúten

Ingredientes:
4 ovos
1 xícara de açúcar (de preferência orgânico)
2 colheres (sopa) de manteiga
1 xícara de iogurte integral
1 xícara de farinha preparada (ver abaixo)
1 xícara de farinha de amêndoa
2 colheres (sopa) de chocolate em pó
1 colher (sopa) de fermento em pó

Modo de fazer:
Bater as claras em neve e reservar.
Bater as gemas com o açúcar e a manteiga até obter um creme claro.
Desligar a batedeira, incorporar o iogurte, peneirar a farinha preparada e misturar bem (à mão ou ligeiramente na batedeira).
Misturar à mão o fermento em pó e por último as claras em neve.
Colocar a massa em uma forma muito bem untada e enfarinhada ou forma de silicone. A massa sem glúten adere muito às paredes da forma.
Assar por 10 minutos em forno alto, em seguida reduzir para forno médio sem abrir a porta e assar até que, ao introduzir uma faca no centro do bolo, ela saia limpa.
Desenformar morno.

* Farinha preparada: misturar bem 3 xícaras de farinha de arroz, 1 xícara de fécula de batata e 1/2 xícara de polvilho doce. Guardar em um pote fechado.

Obs.: Eu compro farinha de amêndoas a granel no Mercado da Lapa, Box 54, Aloíse Festas, ou nas lojas da Rua Mercúrio na Zona Cerealista.

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Molho de tomate caseiro


Eu não planejei fazer molho de tomate. Apenas comprei uma dúzia de tomates e acabei não usando. Recorri às minhas preciosas fontes no 365 Dias de Comida Honesta e choveram dicas de como preparar. Fiz do jeito mais simples possível, pretendo repetir com variações.

Sempre é possível preparar e congelar porções de molho de tomate adicionando ervas variadas, ou azeitonas, alcaparras ou mesmo carne - que aí já vira molho à  bolonhesa. Ainda acho mais prático preparar o molho básico e variar os temperos na hora de usar.

Quanto ao preparo, tem gente que tira a pele e as sementes, como mandam os bons manuais de gastronomia. Mas a maioria das pessoas com quem conversei vai pelo método mais prático mesmo: tomate com casca e tudo.

Sério, não tem complicação. Levei uns 10 minutos para picar os tomates e refogar tudo. Depois o molho cozinhou lindamente por 2 horas, durante as quais eu passei ocasionalmente para dar uma mexida.

Molho de tomate caseiro

Ingredientes:
12 tomates picados grosseiramente
1 cebola picada
2 dentes de alho amassados
cerca de 20 colheres (sopa) de azeite extravirgem
1 colher (café) de sal
1 colher (sopa) de açúcar
Várias folhas de louro
Opcionais: 1 talo de salsão, um punhado de manjericão, orégano, meia cenoura ralada

Refogar a cebola, o alho e o sal no azeite. Acrescentar os tomates. Quando começar a amolecer, acrescentar o açúcar e eventuais temperos. Cozinhar em fogo baixo por cerca de 2 horas.

Obs.: Não acrescentar água. Recomenda-se usar pouco ou nenhum sal e corrigir quando for utilizar o molho num preparo.