quarta-feira, 19 de junho de 2013

Com vinagre e com afeto


Hoje é um dia histórico para São Paulo e para o Brasil. Depois de seguidas manifestações, as quais a de segunda-feira, 17/6, levou 65 mil pessoas (mas alguns falam em 100 mil) para as ruas para protestar contra o aumento da tarifa do transporte coletivo, hoje o governador e o prefeito revogaram o aumento.

As manifestações foram convocadas pelo pessoal do Movimento Passe Livre por meio das redes sociais, e foi engraçado ver como a grande mídia e a maioria das pessoas não entende como funcionam os movimentos horizontais, em que não há líderes, em que as pessoas tomam iniciativas e colaboram sem que haja um comando, ordens, hierarquia. E ó, funciona que é uma beleza.

E assim como a internet facilita a mobilização das pessoas, ela também permite que a história seja contada de vários pontos de vista, não mais apenas da conveniente perspectiva oficial das autoridades. Assim, no dia 13/6, quinta-feira, os principais jornais paulistas defendiam o uso da força policial contra quem protestava nas ruas, criminalizando o movimento; porém, no dia seguinte, sexta, desde cedo as pessoas compartilharam nas redes sociais imagens chocantes da truculência policial na noite anterior contra manifestantes protestando pacificamente, transeuntes e jornalistas a serviço.

Foi quando a população saiu da inércia. Em plena segunda-feira (17/6), uma multidão tomou as ruas da cidade, e desta vez, sem a repressão policial, os protestos não tiveram um único incidente de agressão ou vandalismo. E a força estrondosa e histórica que teve essa manifestação começou a ser planejada no final de semana, de uma maneira colaborativa que eu nunca tinha presenciado antes.

Assim, mais de 120 profissionais da saúde, entre médicos e estudantes de medicina, organizaram mutirões de atendimento móvel que seguiram as diferentes passeatas (e felizmente não precisaram socorrer ninguém). Jornalistas e o pessoal de mídia social relatavam o protesto em tempo real, forneciam mapas interativos, e até homens-wifi móveis caminharam com a multidão para tentar fornecer sinal digital para as transmissões.

E entre as muitas iniciativas, teve o pessoal da comida. Ideia da minha incrível amiga Ana Rüsche. Muito sabida, ela explicou que era importante a gente dar apoio pro pessoal que estava indo pra rua; que as pessoas geralmente chegavam para os protestos direto do trabalho, e depois do perrengue todo, até por medo da movimentação, todos os bares fechavam e as pessoas não tinham onde comer; e que, claro, era muito importante mostrar para o mundo todo que o movimento é legítimo, pacífico e do bem.
Estes são os pães da Ana. E o Canek espiando.
Aí a Ana organizou essa iniciativa chamada "Com Vinagre e com Afeto", pedindo que a gente fizesse pães para entregar nos pontos de apoio, onde funcionaram serviços de atendimento médico da passeata e onde as pessoas poderiam parar para descansar e usar a internet.

Não sei bem quantas pessoas colaboraram. Eu fiz 2 pães, ela também fez, e a Carolina Corrêa, que está longe, fez um bolo de maçã e dedicou aos manifestantes. Valeu a intenção! O chefe Dan fez sopa em um dos pontos. Foi bem bacana, foi uma forma de abraçar quem está lá nas ruas. A Ana, no caso, estava nas ruas e em mais um monte de lugares, porque ela é assim.

"Com Vinagre e com Afeto" foi em referência à arbitrariedade da PM, na quinta anterior, de levar uma porção de gente presa por "porte de vinagre", essa perigosa arma de destruição em massa (que é usado para atenuar os efeitos do gás lacrimogênio). Que virou piada na internet já no dia seguinte.  

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Os pães que eu fiz são aquela receita de pão de leite que eu publiquei aqui. Só que agora tenho feito assim: em vez de 3 xícaras de farinha de trigo branca, uso 2 xícaras de farinha branca e 1 xícara de farinha integral. Deixo crescer sem pressa, porque pão com farinha integral demora mesmo mais tempo. Fica uma delícia!

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Congelamento de vegetais

Olha quanta coisa dá pra manter congelada apenas nas prateleiras da porta no freezer do meu refrigerador duplex: em cima tem cenoura e abobrinha em cubinhos, brócolis, mandioquinha e pimentão. Embaixo, espinafre, mandioca, salsão, abóbora e queijo ralado.

Congelar alimentos e preparos tem sido uma das melhores estratégias para a gente aqui em casa cozinhar e comer com qualidade e variedade.

Antigamente eu comprava e congelava muito alimento processado, mas hoje o espaço do freezer do meu refrigerador duplex de 340 litros está ocupado com vegetais, além de cortes de carnes, aves e peixes, pratos prontos, molhos de tomate e caldos, alguns pães e pizzas, praticamente tudo feito em casa.

O congelamento também evita o problema do desperdício dos vegetais, pois às vezes eu demoro a usar os legumes e verduras que trago da feira.

Não sou especialista em congelamento, mas fiz um curso há muitos anos, continuo a aplicar as técnicas que aprendi e tenho pesquisado um pouco na internet. Neste post, vou contar como eu me organizo aqui em casa com o congelamento, o que não significa que o meu seja o melhor método.

Para falarmos de congelamento, precisamos falar de dois conceitos: branqueamento e congelamento aberto.

O branqueamento consiste em aferventar e em seguida resfriar muito rapidamente os vegetais que serão congelados, provocando um choque térmico, a fim de inibir a ação das enzimas e preservar os nutrientes do alimento.

Branqueamento de brócolis
O tempo de branqueamento depende de cada vegetal, de acordo com a sua consistência, variando de 1 a 3 minutos. Você deve mergulhá-los em água fervente, retirá-los com uma escumadeira e mergulhá-los em uma tigela com água filtrada e cubos de gelo pelo mesmo número de minutos. Em seguida, escorra, elimine toda a água que puder e congele.

O congelamento aberto é o processo de congelar os alimentos fracionados em bandejas, separados, até que endureçam, e só então embalá-los, para que não grudem uns nos outros e seja possível retirar só a quantidade desejada do pacote. Pode-se congelar em aberto bifes, pedaços de aves, hambúrgueres, mas eu uso bastante essa técnica com legumes em geral, rodelas de pimentão, talos de salsão, etc.

Cubos de abóbora em congelamento aberto, antes de serem acondicionadas no saco de congelamento

Os vegetais que costumo ter no freezer são:
- cenoura e abobrinha em cubos pequenos
- abóbora em cubos médios
- mandioquinha em rodelas
- mandioca em metades
- brócolis em buquês
- ervilhas
- pimentão em rodelas ou cubos
- espinafre, só as folhas
- salsinha

Existem muitos outros vegetais que podem ser congelados, mas a minha experiência é com esses. Não é recomendado congelar hortaliças que serão consumidas frescas. E eu raras vezes congelei frutas.

Mandioquinha em rodelas

Então eu faço assim: descasco e corto os legumes; elimino os talos de brócolis, espinafre ou salsinha; retiro as sementes dos pimentões; higienizo tudo direitinho, faço o branqueamento (exceto do pimentão, salsão e folhas em geral), e congelo eliminando o máximo possível de água e retirando todo o ar possível das embalagens.

Sempre tenho alguns pacotes com 1 cenoura e 1 abobrinha em cubinhos, para fazer rapidamente a ração caseira das cachorras ou sopa de legumes pra gente (aqui em casa,  humanos e animais comem comida da mesma qualidade). Como serão consumidos em pouco tempo, não faço o branqueamento neste caso.



Os vegetais congelados perdem a crocância e acumulam água, então não ficam bons para ser consumidos crus. Mas são ótimos na maioria dos preparos cozidos ou assados.

As folhas, como espinafre e salsinha, podem ser trituradas ainda congeladas; basta apertar o saquinho assim que retirar do freezer. É bem prático, evita o trabalho de picar.

Uma regra fundamental do congelamento é: nunca congele duas vezes o mesmo alimento. Em muitos casos, carnes e aves podem ser congelados uma vez cruas e outra cozidas. Se descongelar, não torne a congelar.

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Meu freezer geralmente tem também pratos caseiros prontos, porque eu acho mais fácil cozinhar porções grandes e congelar para as próximas refeições. O trabalho é um só, o tempo de preparo e o consumo de gás são pouca coisa maiores.

Às vezes eu compro 1 kg de carne moída, refogo tudo muito bem só no óleo, e congelo pequenas porções, para sopa, polenta com molho, uma massa à bolonhesa, etc.

Com outro quilo de carne moída, preparo algumas bandejas de quibe de forno e congelo.

Também tenho o hábito de cozinhar de uma só vez 2 kg de pernil em cubos, que a gente adora aqui, e congelar em porções.

Peito de frango, eu cozinho 1 ou 2 por vez na panela de pressão, aí desosso, desfio e congelo em porções. Dá pra fazer recheio de tortas, sopas, risottos, etc.

E claro, quase sempre tenho molho de tomate caseiro no freezer, que eu ensino a fazer aqui.