terça-feira, 22 de setembro de 2015

Produtos da mandioca e receitinha fácil e gostosa: Creme de tapioca


Creme de tapioca - © Cecilia Santos (proibida a reprodução)

Outro dia li por aí que a mandioca é o mais brasileiro dos alimentos. A farinha de trigo entrou no Brasil com os portugueses e só passou a ser cultivada para valer na região Sul do país a partir do início do século XX. Por isso, a culinária das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste sempre se baseou mesmo nos produtos da mandioca, como a farinha de mandioca e o polvilho.

Há sempre alguma confusão entre os diversos produtos da mandioca, até porque, sendo consumidos em tantas regiões, alguns nomes e usos variam. Vou tentar enumerar alguns (e se eu estiver errada, podem me corrigir);

A farinha de mandioca acompanha vários pratos salgados, especialmente a feijoada, e pode ser crua ou torrada, temperada ou não.

O polvilho é a fécula da mandioca. O polvilho doce, quando úmido, é chamado de goma e serve para fazer os disquinhos na frigideira, que são consumidos recheados ou só com manteiga. Hoje é bem fácil encontrar a goma pronta nos supermercados (na capa geralmente está escrito “tapioca”).

O polvilho azedo é o ingrediente principal do pão de queijo famoso em Minas e em Goiás.

A tapioca, farinha de tapioca ou tapioca granulada é obtida com a secagem da goma em forno. Dependendo do processamento, ela será mais ou menos granulada, e pode ser encontrada a granel em diferentes granulagens em casas que vendem produtos nordestinos. A Yoki tem a tapioca granulada em sua linha de produtos. É usada no preparo de bolos, pudins e doces.
Tapioca granulada - © Cecília Santos (proibida a reprodução)

Então, tapioca tanto pode ser a farinha de tapioca quanto o disquinho feito na frigideira a partir da goma da mandioca, tão tradicional em todo o Nordeste (em Olinda/PE as tapiocas são protegidas como Patrimônio Imaterial e Cultural da Cidade), que em algumas regiões também é chamada de beiju.

O sagu é parecido com a tapioca granulada, exceto que seu processamento é um pouco diferente, para dar a ele seu característico aspecto perolado. O sagu ao vinho é um doce tradicional português.

A puba é uma massa de mandioca fermentada que serve para fazer um bolo típico.

Eu comecei a tentar entender isso tudo quando voltei de viagem a Sergipe, estado natal do meu pai, ainda encantada com a culinária local. Tentei fazer um bolo de tapioca delicioso que comi na casa dos meus primos e comprei tapioca “granulada”, embora a receita pedisse tapioca “quebrada”, e eu achei que, uai, fosse tudo a mesma coisa. Que nada! A tapioca quebrada é o beiju preparado bem fininho, bem sequinho e quebrado depois de resfriado, e pode ser comprada assim pronta em mercados de Sergipe.

Mas se a minha receita não ficou bem como eu esperava, ela também não ficou ruim. Fui pesquisando aqui e ali, experimentei algumas vezes, e agora esse creme de tapioca é uma sobremesa constante aqui em casa, porque é bem gostosinha e fácil de fazer, e também porque eu tinha 1 kg de tapioca granulada para consumir, né?

Creme de Tapioca


¾ de xícara de tapioca granulada
½ xícara de coco fresco ralado ou coco em flocos industrializado
¾ de xícara de açúcar
1 + ½ xícara de leite
1 garrafa (200 ml) de leite de coco
Canela, cravo e um pedaço de casca de limão

1. Misture em uma tigela a tapioca, o coco e o açúcar e reserve.

2. Leve a ferver o leite com o leite de coco e mais a canela, o cravo e a casca de limão. Quando ferver, retire do fogo, espere baixar e deixe ferver mais uma vez.

3. Despeje sobre a tapioca na tigela e misture bem. Misture mais umas 3 vezes a cada 10 minutos para desfazer os grumos. A tapioca vai amolecer e cozinhar no leite e ficará molinha.

4. Sirva frio.

Preparo: 10 minutos
Rendimento: 8 porções
Dificuldade: fácil

Este post foi originalmente publicado no site Minhas Plantas: http://minhasplantas.com.br/culinaria/creme-de-tapioca/

terça-feira, 9 de junho de 2015

Especial para o Dia dos Namorados: Risoto de Morango e Queijo Brie

Risoto de morango e queijo brie - © Cecilia Santos (proibida a reprodução)

Minha sugestão para o jantar do Dia dos Namorados é este risoto de morango e queijo brie. É um prato bem fácil mas tem uma cara sofisticada. E em junho já tem morango para vender.

Você pode deixar o caldo adiantado, aí abre aquele vinho especial, que você e seu amor vão bebericando enquanto o risoto cozinha. Só não se percam nas preliminares e esqueçam de ir mexendo e hidratando o risoto, que é o segredo desse prato, para o arroz liberar aos pouquinhos o amido que vai produzir a cremosidade característica.

Você pode preparar o caldo com antecedência. Ali embaixo tem uma receita de um caldo basicão. Só, pelo amor de Cupido, não use aqueles caldos industrializados com gosto artificial, que isso seria uma heresia. Se sobrar caldo, você pode congelá-lo. 

O risoto deve ser feito com arroz arbóreo ou carnaroli. Senão, não é risoto.

Para a sobremesa, minha sugestão é o clafoutis de framboesa e amoras: http://www.cozinhadaceci.com.br/2012/08/clafoutis-de-framboesa-e-amoras-ou.html

Você pode preparar o clafoutis com outras frutas, como a ameixa fresca. Nesse caso, faça uma calda rala em uma frigideira ou panela larga. Lave e corte ao meio algumas ameixas e retire o caroço. Cozinhe as ameixas 5 minutos de cada lado (não mais do que 5 minutos). Retire, corte em fatias e utilize. Você pode acrescentar meio copo de vinho tinto à calda e cozinhar até reduzir. Fica uma delícia sobre sorvete ou mesmo sobre o clafoutis pronto.


Risoto de morango e queijo brie
Receita da minha amiga e jornalista Tâmara Freire

Rendimento: 2 porções
Preparo: 40 minutos
Dificuldade: fácil

Para o caldo vegetal (prepare antes de começar o risoto):
Ingredientes:
1 litro de água filtrada
1/2 cebola pique (sobre a metade de uma cebola sem pele, coloque uma folha de louro e prenda com 3 cravos-da-índia)
1 cenoura descascada e cortada ao meio
1 talo de salsão
Ervas frescas a gosto
Opcional: talos de cogumelo

Leve tudo a ferver por 30 minutos em fogo baixo. Coe e utilize. Congela muito bem. 

Para o risoto:

Ingredientes:
1 xícara de arroz arbóreo ou carnaroli
1 cebola pequena bem picada
1 dente de alho espremido
2 colheres (sopa) de azeite
sal a gosto
½ xícara de vinho branco
1 litro de caldo vegetal caseiro
1 colher (sopa) de manteiga
1 caixa de morangos lavados e picados
200 g de queijo brie em pedaços médios

Em uma panela, aqueça o azeite, doure a cebola, e quando ela começar a ficar transparente, adicione o alho e o sal e refogue ligeiramente.

Acrescente o arroz e refogue por 1 minuto, mexendo bem.

Despeje o vinho e mexa até o líquido começar a secar.

A partir de então, despeje uma concha de caldo vegetal caseiro por vez, adicionando a próxima quando parte do líquido tiver evaporado. Mantenha o caldo aquecido e mexa o risoto constantemente.

Quando o arroz estiver no ponto, ou seja, os grãos estão macios mas não moles e o risoto está bem úmido, desligue o fogo, adicione a manteiga e os morangos e mexa bem. Por fim, adicione o queijo brie e mexa com cuidado para não desmanchar demais.

Sirva imediatamente.

terça-feira, 7 de abril de 2015

Bolo cremoso de milho - uma sobremesa rápida e deliciosa

www.cozinhadaceci.com.br
Bolo cremoso de milho. © Cecilia Santos - Proibida a reprodução

Pensem numa pessoa que tem energia para cozinhar depois de um dia de trabalho exaustivo. Não apenas cozinhar, mas fazer pratos inventivos, como um risoto de goiabada, ou trabalhosos, como sovar, abrir e assar pizza caseira.

Pensem que essa pessoa tem um trabalho bem puxado como repórter de uma empresa de comunicação, e um filho de 4 anos que ela cria sozinha. E ainda coordena um blog de maternagem feminista, o FemMaterna, e mantém um blog pessoal.

Pois é, essa pessoa é a minha amiga Tâmara. Ela não prepara só receitas elaboradas, como a tradicional torta capixaba, uma tradição da Sexta-Feira Santa do estado do Espírito Santo, que eu tive o prazer de comer duas vezes. Tem também receitas facílimas como este bolo cremoso de milho, de uma simplicidade incrível, e ao mesmo tempo muito saboroso. Gente, milho com leite condensado só pode dar coisa boa, né?

Só aviso que a receita é pequena, então recomendo aos gulosos ou aos que pretendem alimentar várias bocas que dobrem a receita.

Bolo cremoso de milho
Receita da Tâmara Freire

Tempo de preparo: 1 hora
Rendimento: 6 porções
Nível de dificuldade: muito fácil

Ingredientes:
1 lata de milho escorrida
1 lata de leite condensado
3 ovos inteiros
1 colher (sopa) de manteiga ou margarina
1 colher (sopa) de fermento em pó
1 colher (chá) de canela em pó
Açúcar e canela, o quanto baste

Bata todos os ingredientes no liquidificador, exceto o fermento. Coe em uma tigela, acrescente o fermento e incorpore bem.

Unte uma forma de pudim pequena e polvilhe com açúcar e canela.

Asse em forno pré-aquecido até estar firme (cerca de 30 minutos). Desenforme morno e, se desejar, polvilhe mais açúcar com canela.

*****

Uma outra receita rapidinha que faz muito sucesso é o pão de leite (que também pode ser feito na versão integral). Dá uma olhada neste post:
Pão de leite: fofíssimo e fácil de fazer

domingo, 29 de março de 2015

Horta no Apartamento II


Quem gosta de cozinhar geralmente também aprecia ter ervas frescas à mão. Mas quem não mora em casa e não tem espaço para plantar na terra também pode dar seu jeito no apartamento.

Eu já tive vasos na beirada da janela da lavanderia, depois cultivei as ervas em vasos suspensos, ligados um ao outro por correntes, como mostrei aqui neste post de 2013.

Minha varanda
Este ano resolvi migrar tudo para a varanda. Só que a minha varanda, que não é grande (mede 4,5 m2), já tem uma porção de outros vasos, tanto no chão como na parede (só de orquídeas são 18 vasos).

Mas como não existe problema para o qual a Internet não mostre uma solução, encontrei várias ideias de vasos empilháveis, em materiais variados. E concluí que a solução mais viável e econômica seriam vasos de barro.

Eu já tinha um vaso grande onde tive um pé de romã (que hoje mora lá embaixo no jardim do prédio) e duas primaveras, que foram impiedosamente devoradas por cochonilas, até que desisti delas.

Aí providenciei outros dois vasos menores, que tivessem uma diferença mais ou menos proporcional de um para o outro, comprei terra e fui buscar mudas de ervas na feira de flores do Ceagesp (funciona às terças e sextas, das 5h às 10h30, na Av. Dr. Gastão Vidigal, 1946, na Vila Leopoldina).

Trouxe salsa, coentro, cebolinha, dois tipos de manjericão e tomilho. Um exagero. Também fiquei na maior dúvida sobre quais ervas plantar junto. E cometi o erro básico de plantar salsa ou coentro com outras ervas, quando todo mundo sabe (menos eu) que essas aí não são boas vizinhas de ninguém.

A primeira versão da horta
A horta ficou bonita por um tempo e depois, logicamente, precisei fazer a manutenção: replantar algumas coisas, retirar outras e tal. Aí mudei tudo de lugar. Manjericões sozinhos no vaso de cima, hortelã sozinho no vaso do meio, que cresceu que foi uma beleza e encobriu as ervas do vaso maior.

Semana passada dei uma podadona, hoje fui buscar mudas novas e mudei mais algumas ervas de lugar de novo. Agora o hortelã está no vaso de baixo, o maior, e pode crescer e esparramar à vontade. No vaso do meio ficaram tomilho, sálvia e alecrim. No vaso de cima, 2 tipos de manjericão. A cebolinha e a salsa ganharam vasos independentes. Porque ninguém precisa viver no aperto, não é?

Mas o importante é sentir como cada erva se desenvolve e fazer as mudanças necessárias. Regar todo dia no calor e a cada 2 dias quando não estiver tão quente. E lembrar que nem toda erva dura para sempre. Algumas, como a cebolinha, renascem rapidamente quando cortadas um pouco acima da raiz. E se alguma plantinha morrer, não é motivo para desistir!




Como montar a horta nos vasos sobrepostos

Esta é a configuração da minha horta. É apenas uma referência, que pode ser adaptada para o espaço e os materiais disponíveis:

O primeiro vaso tem 35 cm de diâmetro por 35 cm de altura. O segundo tem 28 cm de diâmetro, e o terceiro tem 18 cm de diâmetro.

Enchi o vaso maior de terra até uns 15 cm da borda. Aí acomodei o vaso médio, encostando-o em uma das paredes do vaso maior, de modo que mais ou menos 2/3 dele sobressaíssem acima da borda do vaso maior. Em seguida coloquei mais terra no vaso maior para firmar o vaso do meio.

Então enchi de terra o vaso do meio, até faltar uns 10 cm para chegar à borda. Acomodei o vaso menor, encostando-o na borda do vaso do meio, do mesmo lado em que ele encostava no vaso maior. Coloquei mais terra para firmar.

Em seguida abri as covinhas para cada torrão de muda, plantei e completei com terra conforme necessário, nivelando.

Usei terra vegetal com um pouco de vermiculita (que ajuda a controlar e manter a umidade do solo). No lugar em que estão os vasos, bate o sol da tarde por algumas horinhas, dependendo da estação do ano, porque a varanda é fechada por muro. E não tem vento. Acho que as ervinhas estão felizes ali.


A Carol Costa, do blog Minhas Plantas, tem uma série de vídeos muito legais sobre vários tipos de horta caseira, desde vasinhos para espaços pequenos até vasões e canteiros para quem tem quintal ou chácara. Estão aqui:

http://minhasplantas.com.br/tv/horta/horta-perfeita-para-quem-tem-pouco-espaco/
http://minhasplantas.com.br/tv/horta/sabia-que-da-para-comer-a-flor-do-girassol/
http://minhasplantas.com.br/tv/horta/desafio-horta-que-da-pra-comer-em-1-mes/
http://minhasplantas.com.br/tv/horta/o-truque-perfeito-pra-horta-vertical-ficar-linda/
http://minhasplantas.com.br/tv/horta/minha-horta-desafio-5-horta-da-trabalho/

Meu pezinho de limão siciliano

Aliás, eu recomendo assinar o canal de vídeos dela. É impressionante como tem informação útil, explicada em linguagem muito acessível!

*****

Tenho também um vaso de erva cidreira, que veio de Minas Gerais. A erva cidreira é diferente do capim cidreira, mais comum, pois tem folhas parecidas com as de hortelã, mas mais aveludadas. O meu vaso está com ramos meio pernudos, talvez porque a planta esteja se esticando para alcançar a luz do sol. O capim cidreira forma uma touceira grande, e infelizmente eu não tenho espaço para um vaso dele, mas adoraria, porque o chá é delicioso, quente ou gelado.

E por fim, meu pé de limão siciliano, plantado a partir da semente da fruta em janeiro de 2013, está com mais ou menos 1,70 de altura, muitos espinhos e começou a dar umas ramificações laterais. Espero que ele continue bem no vaso e um dia dê frutos!

domingo, 8 de março de 2015

Mulheres fenomenais, poesia e pudim de pão


Dia Internacional da Mulher, a gente está sempre dizendo, não é dia de dar parabéns, rosas, chocolates ou cartões de gosto duvidoso. O 8 de março é um dia de luta. Porque por mais que as mulheres tenham conquistado tantas coisas, ainda falta muito para termos uma sociedade igualitária (somos em menor número nos altos cargos nas empresas e nos cargos públicos eletivos, divisão doméstica de tarefas ainda é utopia na maioria dos lares) e segura para as mulheres (em média 15 mulheres são assassinadas por dia, geralmente por homens próximos a elas).

Então eu queria aproveitar este dia para falar de mulheres que lutam por um mundo mais justo para outras mulheres. Aí uma amiga me apresentou à ativista pelos direitos civis, a norte-americana Maya Angelou, falecida em maio de 2014 aos 86 anos. Natural de St. Louis, Missouri, Maya foi estuprada pelo namorado da mãe aos 8 anos de idade, passou 5 anos sem falar uma só palavra, e mais tarde transformou a dor em luta e solidariedade, combatendo especialmente o racismo e o machismo.

Foi escritora, poeta, professora universitária, roteirista, dramaturga, atriz, diretora, compositora, cantora e dançarina. Foi a primeira motorista de ônibus negra de São Francisco e se tornou mãe solteira aos 17 anos, em uma época em que isso era um grande tabu. Foi editora de revista no Cairo e assistente administrativa em Gana. Envolveu-se na luta pela independência de alguns países africanos. Trabalhou para Martin Luther King. Recitou um poema na posse do ex-presidente dos EUA Bill Clinton em 1993. Foi amiga próxima da apresentadora Oprah Winfrey e admirada pela família do presidente Obama (a irmã dele foi batizada com o nome da poeta em sua homenagem). Sem dúvida, uma mulher fenomenal, não é?

Mulher Fenomenal é justamente o título de um lindo poema de Maya Angelou, talvez um dos mais conhecidos. Nele a poeta desafia os inatingíveis padrões de beleza que tentam nos impor e diz a respeito de si mesma: eu sou uma mulher fenomenal. Então eu quero oferecer este poema (traduzido por mim, não reparem) a todas as mulheres, para que todas nos olhemos no espelho e digamos: somos todas fenomenais, e não vamos permitir que jamais nos digam o contrário!

Foto: Bob Richman © 2010 Harpo, Inc.

 Mulher Fenomenal
De Maya Angelou

Mulheres bonitas se perguntam qual é o meu segredo.
Não sou bonita nem tenho corpo de modelo
Mas quando começo a lhes dizer
Elas acham que estou mentindo.
Digo que
Está no alcance dos meus braços,
Na largura dos meus quadris,
No ritmo dos meus passos,
Na curva dos meus lábios.
Sou mulher
De um jeito fenomenal.
Uma mulher fenomenal,
É o que eu sou.

Entro na sala
Com toda a calma e segurança,
E me dirijo a um homem,
Os rapazes se levantam ou
Se ajoelham.
Eles se aglomeram ao meu redor
Como um enxame de abelhas.

Eu digo,
É o fogo dos meus olhos,
E o brilho dos meus dentes,
O balanço da minha cintura,
E a alegria dos meus pés.
Sou mulher
De um jeito fenomenal.
Uma mulher fenomenal
É o que eu sou.

Os próprios homens se perguntam
O que veem em mim.
Eles tentam tanto
Mas não conseguem alcançar
Meu mistério interior.
Quando tento mostrar a eles,
Eles dizem que não conseguem ver.
Eu digo,
Está na curva das minhas costas,
No sol do meu sorriso,
No percurso dos meus seios,
Na graça do meu estilo.
Sou mulher
De um jeito fenomenal.
Uma mulher fenomenal
É o que eu sou.

Você entende agora
Por que eu não abaixo a cabeça
Não grito, não me agito
Nem preciso levantar a voz.
Quando você me vir passando,
Eu hei de te fazer sentir orgulho.
Eu digo,
Está no som dos meus saltos,
Na curva de meus cabelos,
Na palma da minha mão.
Na necessidade de meu cuidar.
Porque sou mulher
De um jeito fenomenal.
Uma mulher fenomenal,
É o que eu sou.

Essa mulher fenomenal também adorava cozinhar e comer, e publicou dois livros de receitas, “Hallelujah! The Welcome Table: A Lifetime of Memories with Recipes” e “Great Food, All Day Long: Cook Splendidly, Eat Smart”.

Dela, selecionei uma receita simples e aromática, daquelas de aquecer a alma. Diferente do pudim de pão mais conhecido por aqui, nesta receita o pão não é batido e se mantém em pedaços. Espero que gostem!

PUDIM DE PÃO
Ligeiramente adaptado do livro Hallelujah! The Welcome Table: A Lifetime of Memories with Recipes” de Maya Angelou

Rendimento: 4 porções
Tempo de preparo: 90 minutos
Nível de dificuldade: fácil

2 pãezinhos (francês ou de sal) amanhecidos
Manteiga, o quanto baste
½ xícara de passas sem semente
½ xícara de açúcar
2 ovos grandes, batidos
1 xícara de leite
1 colher de sobremesa de extrato de baunilha
½ colher de chá de canela em pó

Pré-aqueça o forno. Unte 4 ramequins com manteiga e reserve.
Espalhe manteiga em ambos os lados das fatias de pão, coloque-as em uma assadeira forrada com papel alumínio e leve ao forno, até as fatias estarem tostadas de ambos os lados.
Enquanto isso, coloque as passas em uma tigela com água quente. Cubra, deixe por 20 minutos, escorra a água e reserve.
Bata ligeiramente os ovos, adicione o leite, o açúcar, o extrato de baunilha e a canela em pó e misture bem.
Quebre o pão torrado em pedaços pequenos (mas sem esfarelar totalmente) e coloque-os em uma tigela. Adicione as passas. Despeje a mistura de ovos sobre o pão e misture.
Distribua entre os ramequins untados, coloque-os sobre uma assadeira e cubra com papel alumínio. Asse por 30 minutos.
Sirva morno ou frio.


Meus agradecimentos pelas ideias e revisões deste post e de modo geral, pela amizade valiosa e pelas lições de feminismo a: Iara (que foi quem me apresentou a Maya Angelou), Karla, Vevê, Fabiana, Ludmila, Tâmara e Ana Rüsche (poeta também e autora do livro que aparece na foto). Um agradecimento especial a Carol Costa, do site Minhas Plantas. pelo incentivo e espaço. Vocês são fenomenais!

Para conhecer melhor a vida e obra de Maya Angelou, visite seu site: http://www.mayaangelou.com/


sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Dicas de como economizar água e algumas reflexões sobre o trabalho doméstico

Fonte das Nanás, escultura de Niki de Saint Phaille. Acervo Permanente da Pinacoteca do Estado de São Paulo. Fotografia de Cecilia Santos, arquivo pessoal 
A crise da água é grave, como todo mundo aqui na região Sudeste sabe. Mas ela não é um fenômeno temporário. Estudiosos já apontavam há algum tempo que, com a intensa atividade industrial e agrícola e toda a devastação ecológica em São Paulo, mesmo que não houvesse seca, os recursos hídricos no estado começariam a escassear.

Então, mais do que improvisar adaptações, nós precisamos mesmo é empreender uma profunda mudança de hábito. Que fique claro: apesar das campanhas do governo e da Sabesp focarem nos consumidores domésticos, a gente sabe que os maiores consumidores da água são a indústria e o agronegócio. Semana passada o jornal El País divulgou uma matéria impressionante (aqui) sobre os escandalosos contratos de firme demanda entre a Sabesp e grandes clientes, como clubes, shopping centers e condomínios, que premiam com descontos progressivos o consumo da água.

E as más decisões administrativas não foram tomadas apenas nos governos recentes, não. No início do século XX, com a expansão da metrópole, grandes obras foram feitas e muitas delas simplesmente enterraram rios e riachos! Alguém mais se choca ao descobrir que embaixo das Avenidas 23 de Maio, Pacaembu, dos Bandeirantes e Nove de Julho correm rios? E por que a cidade não cresceu às margens desses rios, preservando a água e as paisagens, não é? Quantas decisões estúpidas em nome do progresso!

Centro de São Paulo visto do alto do Edifício Martinelli. Fotografia de Cecilia Santos, arquivo pessoal
Mas logicamente isso não significa que nós consumidores domésticos estamos isentos de responsabilidade. Pelo contrário. Em São Paulo, creio que a maioria das pessoas nunca imaginou que a água se tornaria um bem escasso. Quando eu era criança, tomar banho de mangueira nos dias de calor era apenas uma brincadeira inocente. Hoje a gente se sente culpada se o banho durar mais de 3 minutos!

Desde 2013 mais ou menos eu comecei a repensar a questão da limpeza e do trabalho doméstico, especialmente quando foi promulgada a PEC das Domésticas (que lamentavelmente até hoje não foi regulamentada), que eu debati bastante e sobre o qual escrevi (aqui). Ao mesmo tempo, começamos uma mudança bem razoável nos hábitos e na rotina aqui de casa, que foi positiva e trouxe vários ganhos.

Há alguns anos nós contamos com uma diarista, a Josirene, que é uma excelente profissional e também uma pessoa com quem tenho altos papos. Surpreendentemente, apesar do meu envolvimento com o aspecto político do trabalho doméstico, confesso que eu não tinha antes considerado a questão da segurança e saúde ocupacionais da trabalhadora doméstica na minha própria residência, até que a Josi acabou trazendo essa questão.

A partir de então, a gente começou um processo de repensar tudo o que envolve a rotina de limpeza da casa. Tivemos até uma reunião formal, eu, ela e o Lucas (que compareceu com ar blasé de adolescente criado a leite com pera que acha que não tem nada a ver com o rolê - e tem, sim, porque a manutenção da casa diz respeito a todo mundo que vive nela).

Ao longo de uns 2 anos, fizemos as seguintes mudanças aqui:
  • Agora metade da roupa lavada não é mais passada a ferro. Secamos camisetas, vestidos e blusas em cabides, e muitos deles vão dali direto pro armário. Também não se passa mais lençóis (tem um vídeo aqui que ensina a dobrar lençol de elástico) e toalhas de banho. Lembrando que uma dica para economizar energia é juntar toda a roupa da semana em vez de ligar o ferro constantemente.

    Vamos ter em mente que a composição dos tecidos e a eficiência dos eletrodomésticos evoluíram, justamente para poupar trabalho e energia (e a gente tem que evoluir junto, certo?). Já estão se popularizando os vaporizadores de roupa, inclusive uns portáteis (mas eu nunca usei). Uma dica: num aperto ou numa viagem, se você pendurar uma roupa amassada num cabide e colocar no banheiro enquanto toma banho, o vapor do banho vai dar uma desamassada básica na peça. (Só não vale demorar demais no banho, lógico.)
  • Eliminamos metade dos produtos de limpeza. Aqui em casa não entram mais lustra-móveis, removedor, cera e removedor de limo. Até tentamos usar o combo caseiro de bicarbonato de sódio e vinagre, mas pra gente não funcionou. Durante alguns meses, comprei uma linha de produtos sem fosfato e sem matérias primas à base de petróleo,  que são bons mas meio caros e difíceis de achar. Ultimamente tenho comprado o multiuso e o desinfetante que tiverem o perfume mais suave possível.

    Combinamos que água sanitária só será usada a cada 2 ou 3 semanas, só no borrifador, com luva e mantendo a circulação de ar. Também eliminamos o uso do sabão de lavar roupa e detergente na limpeza da casa. No piso de madeira, só pano úmido.

    Menos produtos, usados em quantidades menores, produzem menos espuma, acumulam-se menos nas superfícies e consequentemente consomem menos água. Além da economia na conta do supermercado.

    O resultado? A tosse seca que eu tinha e que ficava ainda mais assanhada no dia da faxina simplesmente desapareceu. A Agência de Proteção Ambiental dos EUA informa que alguns produtos de limpeza são tóxicos e responsáveis por altos índices de contaminação e alergias no ambiente doméstico. Muitas vezes as pessoas têm rinite e outras alergias e nem imaginam que a fonte pode ser a própria forma de limpar a casa, com produtos poluidores. A gente também precisa tomar cuidado com produtos de limpeza fabricados em fundo de quintal, sem controle, que podem até ser mais baratos, mas também extremamente nocivos.
  • Ainda se discute muito pouco a segurança e a saúde ocupacionais da trabalhadora doméstica. Qual é o efeito da exposição diária a produtos tóxicos, 5 vezes por semana, durante 30 anos de trabalho? A trabalhadora doméstica tem que zelar pela sua saúde, e quem contrata esse tipo de trabalho tem a obrigação de ajudar na conscientização. Além de reduzir a exposição a certos produtos, passamos a usar luvas descartáveis na limpeza e até na hora de fazer alguma pintura ou jardinagem. Aqui nós preferimos as luvas de vinil - uma caixa com 100 unidades custa uns R$15,00 em qualquer casa de cosméticos.

    Há uns dias a Josi comentou que ela também já sente os efeitos positivos dessas mudanças. A rigor, ainda há muito mais a fazer. Mas aqui a gente segue discutindo. 
  • Como divisão do trabalho doméstico é um tema que eu levo muito a sério, há algum tempo eu comprei um aspirador vertical do tipo deste (mas o meu é de uma geração anterior). Fora o dia da faxina, mantemos a casa com tranquilidade umas duas vezes na semana. Lucas passa aspirador e eu passo pano úmido no chão. O robô aspirador está começando a chegar ao Brasil. Ainda é caro e quebra fácil, mas eu acho que não demora a chegar o dia em que nossas casas serão como a dos Jetsons!
A etapa mais recente dessa mudança veio com a crise da água. Nesse aspecto, foi a Josi quem trouxe as melhores dicas. Confesso que fui eu quem mais demorou a sair da zona de conforto e a mudar de hábitos. Ao pesquisar dicas na internet para montar uma discussão sobre economia de água aqui no meu condomínio, descobri outras dicas legais, que começamos a implementar. Então vão algumas dicas, por tarefa:

Poucos produtos de limpeza, em borrifadores, e luvas descartáveis
(Fotografia de Cecilia Santos, arquivo pessoal)

Na cozinha
  • Todo mundo sabe lavar louça, obviamente. Mas quando vi este vídeo, disse: "como é que eu não pensei nisso antes?" O negócio funciona assim: (1) remova todos os resíduos da louça; (2) ensaboe todas as peças; (3) esvazie a cuba e lave-a; (4) coloque todas as peças ensaboadas dentro da cuba, organizadas das maiores para as menores; (5) a água usada para enxaguar as primeiras peças já vai enxaguando as de baixo. Menos água, e surpresa, eu agora levo menos tempo pra lavar a louça. 
  • O ideal é lavar a louça uma vez por dia. Nada de passar uma aguinha em cada copo que usar.
  • Aliás, um hábito saudável é ter copos ou garrafinhas individuais, personalizados, que a gente usa um dia inteiro para beber água sem acumular copos na pia. 
  • É mais fácil deixar a louça de molho, empilhada de forma organizada na pia, separando a louça mais engordurada. 
  • Água quente ou vinagre são ótimos para uma pré-lavagem para eliminar a gordura.
  • Para sujar menos panelas, dá pra usar o acessório de cozimento a vapor e cozinhar, por exemplo, o arroz e os legumes ao mesmo tempo. 
  • Também é muito útil, não só para economizar louça suja, cozinhar porções maiores e congelar. Eu fico tão feliz quando tenho um prato prontinho no freezer num dia de muita correria!
  • Pia entupida: despeje no ralo 2 colheres de bicarbonato de sódio e por cima, 1 copo de vinagre; deixe agir por 10 minutos e despeje água fervente. Nunca mais compre o capeta verde, aquilo é puro veneno!
  • Mantenha uma tigela na pia só para acumular água da lavagem de frutas e verduras, por exemplo. Quando comecei a fazer isso, descobri que a gente 'desperdiça' - mas não precisa - um balde de água para lavar um mísero pé de alface.
  • Para desinfetar a esponja e o paninho de pia, coloque-os no microondas e ligue por 1 minuto (só não pode ter nenhum elemento de metal!)
No banheiro 
  • O ideal é colocar os produtos em borrifadores - até espalha melhor o desinfetante no vaso sanitário. Pouco produto, pouca espuma, pouca água. Lembre-se que espuma e perfume não são necessariamente sinônimos de limpeza. 
  • No box, dá para borrifar o multiuso (ou, se quiser tentar, vinagre), esfregar com uma esponja, retirar o excesso com um rodinho de pia e enxaguar com um pano molhado. Também não adianta deixar resíduos porque eles vão se acumulando. O segredo é mesmo usar pouco produto de limpeza. 
  • Vamos combinar: não faz o menor sentido lavar os azulejos do banheiro fora do box. No máximo uma ou duas vezes por ano. 
No resto da casa
  • Mais um da série "por que eu não pensei nisso antes": dobre o pano de limpeza em 4 e vá alternando os lados. Assim você lava menos o pano e, claro, gasta menos água.
  • Pisos de madeira não precisam de nada além de pano úmido. Ceras são tóxicas, tornam o piso escorregadio e propenso a acidentes, e se acumulam de tal maneira que se você passar um removedor de cera (outro produto tóxico), vai notar que o piso até muda de cor. 
  • Uma receitinha matadora para limpar superfícies (exceto as envernizadas e enceradas ou superfícies porosas que podem manchar): coloque álcool em um borrifador, e junte um pau de canela, alguns cravos e umas duas florzinhas de anis-estrelado. Depois de alguns dias o álcool vai ficar marrom e com um perfume delicioso. Eu uso sempre no fogão e na pia. 
  • Aquele seu cachorro que detesta tomar banho (as minhas odeiam) vão gostar desta ideia: banho a seco. Veja aqui
  • A Carol Costa, do excelente site Minhas Plantas, tem um vídeo aqui ensinando 3 maneiras de economizar água nas plantas.
Miguel regando as plantas com o borrifador
(Fotografia de Cecilia Santos, arquivo pessoal)

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O fato é que nós aqui no Brasil temos mania de limpeza. E isso porque até recentemente havia mão-de-obra abundante e barata para dar brilho constante às nossas casas. Nem todas as famílias dividem de verdade o trabalho doméstico, e ele acaba nos ombros das mulheres: a moradora/mulher/mãe e/ou a diarista ou mensalista.

Acontece que as trabalhadoras domésticas estão ficando cada vez mais raras e caras. E felizmente haverá cada vez menos trabalhadores sem qualificação. (Fiquei tão feliz ao saber que a filha de uma senhora que foi diarista da minha mãe entrou na faculdade de medicina! não é lindo?) Nossa sociedade nunca será desenvolvida enquanto perdurar a exploração do trabalho doméstico, desvalorizado e com violação de direitos trabalhistas. Então, em vez de reclamar dos novos tempos, a gente precisa entender que se trata de uma mudança positiva para todos e que está mais do que na hora de prepararmos nossos filhos para viver em um mundo em que eles terão que ser mais autônomos.

E tem também a questão do meio ambiente. Mais do que nunca, temos que estar atentos à geração de lixo sólido e reciclar sempre e cada vez mais. A preservação dos mananciais depende da preservação da natureza, com menos consumo e menos poluição.

Mas a gente também tem que ficar alerta para os produtos que dizem ser "ecológicos" e "sustentáveis" e tal. Tem uma linha de produtos no mercado que, descobri, de "ecológica" só tem o fato de ser vendida em refis - mas os produtos quase nunca estão disponíveis nos supermercados nesse formato, só na embalagem convencional. Ou seja.

"Vou ficar escondida aqui até eles desistirem de me dar
banho!" - Pitanga (Fotografia de Cecilia Santos, arquivo pessoal)

Minha visão pessoal: a gente aqui no Sudeste estava precisando de um choque de realidade. Espero que a crise resulte em novas posturas, do ambiente doméstico ao macroambiente. E a troca de informações e experiência é fundamental nesse processo.

Um ponto que eu acho essencial é envolver todas as pessoas da família e aquelas que prestam serviços, seja em casa ou no trabalho, ouvir cada uma delas e expressar as próprias expectativas. Talvez a sua empregada mensalista acredite que você espera que ela limpe a casa todos os dias, e enquanto isso você está reclamando que ela gasta muita água e produtos de limpeza, quando só o que falta é vocês terem uma conversa franca e ajustarem as expectativas, quem sabe até reduzir a jornada de trabalho dela. Tenho certeza que todo mundo sai ganhando!

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Para terminar este longo post, deixo algumas sugestões de leituras:

Uma das melhores fontes de informação sobre a crise hídrica é o tumblr da Camilla Pavanelli, o Boletim da Falta D'água. Ela tem feito semana a semana um levantamento cuidadoso de dados de órgãos especializados, de estudos e da grande mídia. O resumo é muito informativo e ainda dá pra se aprofundar nos links fornecidos em cada boletim.
http://boletimdafaltadagua.tumblr.com/.

Tem também a Aliança Pela Água, uma coalizão de várias entidades da sociedade civil que lutam pela segurança hídrica em São Paulo.
http://aguasp.com.br/#quem-somos

Um outro post bacana sobre como economizar água em casa, da Lanika Rigues, no LuluzinhaCamp.
http://luluzinhacamp.com/dicas-praticas-para-economizar-agua/#.VOcbhvnF98E

Por fim, um autojabá. Publiquei este texto em 2013 tentando discutir a questão do trabalho doméstico do ponto de vista do meu grupo social, dos desafios de quem precisa contratar ajuda para poder trabalhar fora. Conversei com várias pessoas e acho que gerou insights bacanas.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Pão de cenoura integral


Passadas as festas e as férias, a gente aqui em casa resolveu que era hora de voltar a comer saudável. E pra mim, o café da manhã é a refeição mais importante do dia, melhor ainda quando tem pão caseiro.

Durante algum tempo, eu fiz regularmente o pão de leite, que é um pão de forma muito fácil de fazer e bem gostoso - eu fazia quase sempre na versão integral. Mas tinha dado uma cansada. Aí alguém falou em pão de forma de cenoura industrializado, e eu pensei: que tal um pão de cenoura de forma caseiro e ainda por cima integral?

Bom, a receita foi testada e aprovada! Eu, se fosse vocês, experimentaria. Dá bem pouco trabalho e é muito melhor do que pão industrializado.

Pão de cenoura de forma integral

Ingredientes:
1 tablete de fermento biológico fresco ou 2 colheres (chá) de fermento biológico seco
1 colher (sopa) de açúcar
1 xícara (chá) de água morna
2 ovos inteiros
1 cenoura pequena a média descascada e em pedaços
1/2 xícara (chá) de óleo
2 xícaras (chá) de farinha de trigo branca
1/2 xícara (chá) de farinha de trigo integral
1/2 xícara (chá) de aveia em flocos finos
1 colher (chá) de sal

1. Em uma tigela, misture o fermento biológico com o açúcar. Acrescente a água, dilua bem e deixe reservado por cerca de 10 minutos até que o fermento comece a borbulhar.

2. Enquanto isso, bata no liquidificador os ovos, a cenoura e o óleo. (Nas primeiras vezes usei o processador e a cenoura ficou em pedacinhos, e não totalmente processada como no liquidificador. Aí vai de gosto mesmo.)

3. Despeje a mistura do liquidificador na tigela com o fermento, peneire sobre ela as farinhas e adicione o sal. Mexa bem com um fouet (aquele misturador de arame), só até incorporar bem todos os ingredientes. A mistura ficará com uma textura um pouco mais grossa do que a de bolo.

4. Utilize uma forma de bolo inglês grande ou duas pequenas. Unte a(s) forma(s) e cubra o fundo com papel manteiga. Despeje a mistura do pão na(s) forma(s), tomando o cuidado de preencher só a metade da capacidade, e coloque-a(s) em um local protegido de corrente de vento (dentro do microondas é legal). Deixe crescer.

5. O tempo de crescimento da massa vai depender de vários fatores, principalmente o clima: em dias mais quentes, a massa cresce mais rápido; em dias chuvosos, pode levar uma vida; à noite também demora. Outra coisa: com o fermento fresco, a massa cresce bem mais rápido.

6. Quando a massa tiver crescido bem, de preferência dobrado de tamanho, aqueça o forno por 10 a 15 minutos. Aí gire o botão da chama do forno até a metade e leve o pão a assar em forno médio por cerca de 30 a 40 minutos, dependendo da potência do seu forno.

7. Desenforme morno e espere o pão esfriar totalmente para fatiá-lo.

1 xícara de chá = 250 ml


domingo, 1 de fevereiro de 2015

Feliz 2015! Voltamos à programação normal!


Feliz 2015, gente! Relevem o fato de que já estamos em fevereiro, vai?

O blog ficou parado no segundo semestre de 2014, um tanto por falta de tempo, outro tanto por falta de inspiração e por outros acontecimentos.

Confesso que andei sem vontade de cozinhar. Acontece com vocês? Acho que com todo mundo, né? Cozinhar pode ser uma delícia, mas a rotina não é. E essa obrigação de "administrar" a comida, ou seja, abastecer regularmente a despensa e a geladeira, planejar e executar os pratos todo santo dia, é tediosa e quase sempre recai sobre a mulher.

Felizmente aqui em casa estou conseguindo passar um pouco dessa responsabilidade para o Lucas, que vai ao açougue, decide o que cozinhar e prepara. Acho que dividir de verdade um pouco a responsabilidade da casa é um ganho para todo mundo. Foi ele quem mais cozinhou ano passado.

Em novembro tiramos férias e fizemos uma viagem incrível para Sergipe, estado natal do meu pai. Aracaju é uma cidade linda e moderna, onde eu viveria facinho. Também conhecemos o Cumbe, no interior, onde meu pai nasceu, e fizemos um passeio de barco lindo no cânion do Rio São Francisco, na divisa com Alagoas.

Cânion do São Francisco
Essa viagem me inspirou bastante em termos culinários. Assim que voltei, fiz 4 refeições seguidas com amigos para apresentar alguns pratos que experimentei por lá. Em breve vou publicar um post sobre um pouco da culinária sergipana.

Nos últimos tempos eu tenho me dedicado bastante à jardinagem. Apesar de morar num apartamento com uma varanda de apenas 4,5 m2, tenho mais ou menos 50 vasos ali. Comecei a me interessar por orquídeas, e à medida que aprendia a cultivá-las, fui instalando os vasos na parede. Eu já gostava bastante de suculentas, e no final do ano decidi fazer terrários abertos de suculentas para presentear. Mês passado fiz um curso sobre suculentas no UMAPAZ, no Ibirapuera. Também fiz uma hortinha nesse vaso de 3 níveis aí da foto, que está num canto da varanda.

As pessoas foram vendo minhas fotos no Facebook e começaram a me pedir dicas de jardinagem. Imagina, para mim, que sou só uma aprendiz de jardineira curiosa. Muito do que eu sei sobre jardinagem, aprendi com a Carol Costa, do Minhas Plantas (onde também tem algumas receitas minhas). Foi assistindo os ótimos vídeos dela que eu perdi o medo de cultivar orquídeas. Então seria muita pretensão dar dicas de jardinagem para alguém, mas estou pensando relatar um pouco da minha experiência com as plantas aqui no blog e dar o passo-a-passo dos terrários.

Lidar com as plantas tem sido mais do que apenas um hobby: tem me ensinado a observar mais a natureza, a ser paciente, persistente e esperar o momento de cada coisa acontecer: o broto que nasce, a flor que se abre, cumpre seu ciclo e murcha. Vivendo numa cidade louca como São Paulo, a jardinagem é uma verdadeira terapia.

Então é isso: o blog está voltando à atividade e terá uma seção onde eu vou contar minhas experiências com as plantas. Claro que também teremos muitas receitas. Agora mesmo estou testando o pão de forma integral de cenoura aí da foto, que modéstia à parte, está muito bom e será publicado em breve.

Pão de cenoura (na foto, com queijo cottage) - receita por aqui em breve!
Então, apareçam, viu?
Beijos,
Ceci