quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Pão de forma

© Cecilia Santos - Arquivo pessoal - 
Proibida a reprodução

Voltei a fazer pão. Mais que isso: resolvi estudar, ler sobre o assunto e me dedicar mais. E pra isso, tenho tido a ajuda e a inspiração de duas amigas, uma das quais estuda panificação de verdade e é muito generosa para ensinar.

Eu também tinha esse desejo antigo e nunca concretizado de fazer um fermento natural, o levain. Tentei pelo menos umas 5 ou 6 vezes e ele sempre morria. Semana passada finalmente consegui fazer um levain de maçã, uma hora dessas vou postar aqui.

Mas nesse processo de me dedicar aos pães, fui buscar lá na estante um livro que tenho já há alguns anos, e do qual quase me desfiz ano passado quando vendi ou doei vários livros de culinária que estavam só ocupando espaço. Por sorte ele ainda estava lá, e puxa, o livro é excelente, apesar de bem técnico. Ele aborda a história, a química e a técnica da panificação de uma forma acessível e tem dezenas de receitas.

Eu estou lendo, mas pulei logo pra parte das receitas e selecionei esta que ficou muito boa! É uma delícia ter pão caseiro!

Eu gosto de pesar os ingredientes, mas indico também as medidas em xícaras e colheres. O fermento biológico pode ser seco ou fresco. O fresco cresce mais rapidamente, mas a fermentação também depende essencialmente da temperatura ambiente.

Fazer pão demanda um certo planejamento. É preciso calcular mais ou menos a hora em que será preciso fazer a segunda fermentação e assar. No geral, e especialmente em dias quentes, prefiro começar a fazer o pão cedinho. Mas muita gente leva o pão para fermentar lentamente na geladeira, durante a noite, e assa pela manhã. Eu nunca fiz.

Pão de forma
(ligeiramente adaptado do livro Pão - Arte e Ciência)

Rendimento: um pão de forma grande ou dois pães médios
Tempo de preparo: 30 minutos de preparo, 3 a 4 horas de fermentação e 40 a 50 minutos assando
Nível de dificuldade: médio

Ingredientes:
500 g (4 xícaras de chá + 1 colher de sopa) de farinha de trigo branca
40 g (2 colheres de sopa) de fécula de batata
15 g (1 tablete) de fermento biológico fresco ou 5 g (2 colheres de chá) de fermento biológico seco
350 ml de água à temperatura ambiente
12 g (2 colheres de chá) de sal
12 g (1 colher de sopa) de açúcar
12 g (1 colher de sopa + 1 colher de chá) de leite em pó
25 g (1 colher de sopa bem cheia) de manteiga à temperatura ambiente

Dissolva o fermento e o açúcar na água e aguarde 10 minutos. Adicione os demais ingredientes, mexendo aos poucos. Coloque o sal por último.

Na própria tigela ou na bancada ou mesa, trabalhe a massa por 5 a 10 minutos para ativar o glúten. Faça uma bola com a massa. Unte com óleo uma tigela e transfira a massa para ela. Cubra e deixe crescer em local fresco e sem corrente de vento.

O tempo de fermentação vai depender do tipo de fermento e da temperatura ambiente. A massa deve dobrar de tamanho entre 1 e 3 horas.

Polvilhe a bancada com farinha e transfira a massa para ela. Se for utilizar 2 formas, divida a massa com uma espátula.

Aperte delicadamente toda a massa com a ponta dos dedos para tirar o ar, deixando a massa mais ou menos em formato de retângulo.

Dobre as laterais da massa para dentro duas vezes, até fechar a massa em um formato de cilindro. Aperte bem a emenda.

Unte e enfarinhe bem 1 forma de pão (estilo bolo inglês) grande ou 2 médias. Transfira a massa para a(s) forma(s), com a emenda voltada para baixo.

Leve a massa para crescer novamente em um local fresco e sem corrente de vento, até ela dobrar de tamanho, o que deve levar entre 40 e 90 minutos. Não deixe a massa crescer mais do que o necessário, pois ela vai acabar murchando.

Na metade desse tempo, pré-aqueça bem o forno. Quando a massa tiver crescido o suficiente, leve a(s) forma(s) ao forno quente. Asse em forno médio-alto por 10 minutos, em seguida abaixe a chama e asse por mais 30 a 40 minutos em forno moderado, dependendo do tamanho da massa, até estar dourada.

Assim que for possível manipular a(s) forma(s), coloque o(s) pão(ães) para esfriar sobre uma gradinha.

domingo, 14 de fevereiro de 2016

Como salvar uma orquídea - jardim de apartamento


Quem me conhece sabe que eu gosto muito de plantas. Na minha varanda de apenas 3 m2 tenho muitos vasos, principalmente nas paredes, e mais algumas plantas na floreira da janela do escritório, entre elas uma alamanda amarela onde penduro bebedouros e coloco uma fruta todo dia e recebo visitas de passarinhos enquanto trabalho.

De todas as plantas, as minhas favoritas são as orquídeas. Elas ocupam uma parede lateral da varanda. Estou longe de ser uma especialista, sou apenas uma curiosa, que aliás até uns poucos anos atrás não sabia o que fazer com uma orquídea nova quando acabava a floração.

© Cecilia Santos - Arquivo pessoal -
Proibida a reprodução
Um dia encontrei por acaso alguns vídeos em que uma moça ensinava de um jeito absolutamente simples como cuidar das orquídeas. Algum tempo depois descobri que eu e a moça do vídeo, a Carol Costa, tínhamos uma amiga em comum. Pra resumir a história, viramos amigas também. Nessa época a Carol estava começando um site especializado em jardinagem, o Minhas Plantas, e me convidou para publicar alguns posts de receitas lá.

Com muito talento, simpatia e perseverança, a Carol tem feito cada vez mais sucesso e há algumas semanas estreou em um programa na GNT, o Mais Cor Por Favor. Posso dizer que a maior parte do que eu sei sobre plantas, aprendi com ela.


Com isso, meus vasos de orquídeas foram aumentando em quantidade, cores, florações. Volta e meia ganho uma orquídea nova.  E como de vez em quando alguém me pede algumas dicas, resolvi escrever este post, sem a pretensão de ensinar, mas apenas para contar como eu cuido dos meus vasos. Se ajudar alguém a perder o medo de cultivar orquídeas, ótimo.

Como replantar uma orquídea

Quando ganho um vaso novo, a primeira coisa que faço é me livrar da embalagem, por mais bonita que seja, para permitir a drenagem da água. Se não for possível drenar a água, eu apenas borrifo bem a superfície do vaso com um borrifador. E assim que termina a floração eu replanto em um vaso de barro.

Para exemplificar, vou mostrar como recuperei a orquídea de uma amiga. Ela ganhou uma phalaenopsis plantada em um cachepô de metal. Depois de algumas semanas, as folhas começaram a murchar. Eu trouxe aqui para casa para replantar, e quando tirei a planta do cachepô, descobri esse tantão de água no fundo. As raízes estavam apodrecendo, pois a água não era drenada.


Aí vem a parte mais radical, que se eu não tivesse aprendido com a Carol e feito em todos os meus vasos com sucesso, eu morreria de medo: tiro todo o substrato velho e lavo as raízes em água corrente. No caso da orquídea da minha amiga, as raízes estavam esbranquiçadas, mas ela não tinha mais nada a perder.


Depois de lavar bem, eu pego um punhado de esfagno (é uma espécie de musgo seco, que tem pra vender na feira de plantas da Ceagesp), umedeço, espremo e coloco no meio das raízes.


O vaso ideal é de barro com furinhos. No fundo eu coloco uma camadinha de argila expandida ou pedaços de isopor daquelas bandejinhas de supermercado. Aí coloco um pouco de substrato especial para orquídea, acomodo a planta e preencho todo o vaso com substrato, para ficar bem firme.


Quando a gente replanta uma orquídea, precisa atentar para o tipo de crescimento de cada espécie. Algumas crescem verticalmente (as chamadas orquídeas de crescimento monopodial), mas outras crescem para frente (são chamadas de simpodiais), e nesse caso é preciso encostar a orquídea na parte de trás do vaso, para dar espaço para a planta se desenvolver horizontalmente.

     

Rega e sol

Já ouvi muita gente dizer que orquídea não gosta de água. Na verdade, ela não suporta acúmulo de água nas raízes, por isso a drenagem tem que ser muito boa. Mas eu rego os meus vasos abundantemente, todos os dias no alto verão e a cada 2 dias no restante do ano.

O bom do vaso de barro é que ele absorve o excesso de água e "respira" com a planta, ao contrário do vaso de plástico. Mas tem gente que cultiva superbem em vaso de plástico.

Minha varanda recebe o sol da tarde. Eu não sei se é o ideal para as orquídeas, mas elas parecem bastante satisfeitas lá.


Adubação

Eu adubo minhas orquídeas com bokashi, um adubo orgânico fácil de encontrar em lojas de artigos para jardinagem. Coloco uma colher de sobremesa em cada vaso a cada 3 meses. E costumo borrifar as orquídeas com um adubo foliar especial para orquídeas.

Além disso, a intervalos de 1 ou 2 anos é preciso trocar o substrato, que fica velho.


***

A orquídea da minha amiga se recuperou rapidamente depois de replantada, nasceram duas folhas novas, e um broto aéreo surgiu em uma das hastes. Tempos depois ela foi morar no tronco de uma árvore no quintal.


Para quem tem curiosidade e interesse no assunto, sugiro navegar pelo site Minhas Plantas, especialmente na aba TV, subscrever o canal no YouTube e assistir o programa da Carol no GNT.

E encarar as plantas sem medo de ser feliz. Se a gente pensar, o trabalho é mínimo: regar leva apenas alguns minutos. Costumo dizer que a jardinagem me ensina a ser mais paciente, perseverante e contemplativa. A natureza retribui com beleza e harmonia.

domingo, 24 de janeiro de 2016

Frango agridoce: um hit aqui em casa

www.cozinhadaceci.com.br
Frango agridoce. © Cecilia Santos. Proibida a reprodução.
O frango agridoce virou uma unanimidade aqui em casa. A gente faz com qualquer corte do frango: coxa e sobrecoxa, drumettes (as "coxinhas da asa"), peito em tiras. Mas o mais apreciado é com sobrecoxa desossada.

Aqui nós usamos uma frigideira grande (de 30 cm), de bordas altas e revestimento antiaderente, com tampa. Tenho a impressão de que dessa forma, o frango cozinha e carameliza melhor, mas claro que ele pode ser preparado em qualquer panela.

Frango agridoce

Rendimento: 5 porções
Tempo de preparo: 30 minutos
Nível de dificuldade: fácil

Ingredientes:
1 kg de frango em pedaços (coxas e/ou sobrecoxas, drummettes ou peito em tiras)
1/2 cebola bem picada
1/4 de pimentão vermelho bem picado
2 dentes de alho
Sal a gosto
2 colheres (sopa) de óleo
1 colher (sopa) de açúcar mascavo
1 colher (chá) de páprica doce


Aqueça o óleo e refogue bem a cebola com o sal e o pimentão. Quando a cebola estiver transparente, acrescente o alho e a páprica e refogue ligeiramente.

Adicione o açúcar e refogue mais um pouco, até o açúcar começar a caramelizar. Coloque os pedaços de frango e refogue-os de um lado, vire-os e refogue-os do outro lado.

Após alguns minutos, acrescente meio copo de água, tampe a panela ou frigideira e deixe o frango cozinhar, virando os pedaços de frango de vez em quando.

Quando o frango estiver cozido e só restar um pouco de líquido, destampe a panela e vá deixando o frango apurar, virando os pedaços para caramelar por inteiro.

O frango estará pronto os pedaços de frango estiverem bem dourados e o líquido do cozimento estiver espesso e caramelado.